Opinião
Falta luz no fim do t�nel
Apesar de a informação ter sofrido duros ferimentos nessa guerra, é evidente a exaustão das forças resistentes iraquianas. Não é para menos, dado a violência monumental desabada sobre as terras onde floresceu o império babilônico. Certamente, os ancestrais rios Tigre e Eufrates testemunharam agora algo parecido com o descrito nas grandes catástrofes bíblicas. As tropas anglo-americanas ainda não haviam chegado à Bagdá e já explicitavam-se divergências entre os dois comandos. Bush e Blair pensam de forma diferente o pós-guerra (ou pós-massacre). Isso não é coisa de somenos importância, pois diz respeito à construção de novos cenários globais. Com sua calejada experiência de império, afinal comandou um ?onde o sol nunca se punha?, a Inglaterra demonstra pensar a prazo mais longo e insiste na ampliação dos vitoriosos da campanha contra o Iraque incluindo a posteriori novos companheiros. Com essa política, os ingleses buscam diluir o peso das responsabilidades pela violência contra os iraquianos e procuram reduzir as tensões, temores e desconfianças acerca do estabelecimento de uma ?ditadura militar mundial?. Com essa finalidade, Blair tenta trazer à vida e prestigiar uma ONU bombardeada e despida do que restava de sua autoridade. Sem um mínimo de respeito por um fórum como a Organização das Nações Unidas, o mundo regride à barbárie, renegando os poucos mas significativos avanços conquistados nas relações internacionais durante o século XX. Bush não está inteiramente de acordo com Blair e defende uma posição mais dura, encarando o Iraque como sua presa de guerra, aquém das instâncias internacionais. Segundo o divulgado pela imprensa americana, até um novo governo para o Iraque estaria inteiramente concebido desde Washington, sem escalas de discussão em Londres. Assustado, o mundo não vê as luzes da Paz no fim do túnel dessa guerra. Persistem os clarões das bombas, o faiscar das armas, multiplicam-se pesadelos. Hoje, mais que nunca, a Paz exige ser levantada como uma bandeira universal.