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Opinião

Quando a arte procura um contexto

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Eu fico analisando o mundo contemporâneo e não consigo descobrir aonde se quer chegar. As artes visuais são bem mais experimentos isolados que um segmento de ideias coletivas, como já foi. Não dá para registrar um contexto histórico de um movimento, escola ou mesmo uma corrente ou uma tendência qualquer como no passado. A criatividade esbarrou na tecnologia, nos temas sociais em voga, na crítica religiosa, no sectarismo da diversidade, nos paradoxos que os novos tempos oferecem. Os curadores são mestres da cenografia, capazes de criar paradigmas, controverter o conteúdo, alçar o artista ao pódio, quando não o obscurece ainda mais com as lantejoulas de sua própria participação. Enquanto isso a arte (tida) contemporânea permanece fiel ao figurativismo, aos modelos pop dos anos 1960, ao abstracionismo, às colagens, empastamentos e grafismos geométricos ou continua no velho ready made de Duchamp, sem nenhuma novidade no front conceitual. Na escultura pode-se dizer que o Hiperrealismo ainda é o que existe de melhor. As novas técnicas aperfeiçoadas de Madame Tussouds se impõem pela exagerada perfeição. Afora isso, diríamos que o audiovisual ainda vem se mostrando eficaz em qualquer mostra. Nem tudo, portanto, está perdido. O que nos falta é conseguir inserir a produção atual no contexto do mundo hodierno. Somos, essa geração Woodstock, agora mais conflituosa, apoplética, sectária, racista, homofóbica e asseclas de um sistema político corruptor que só herdou a falta de percepção de nossa própria história, sem autoridade para fazer crítica. A arte envelheceu enquanto confrontamos diferenças sem olhar nossas semelhanças passadas. Somos os mesmos. Se o inusitado não existe, o que estamos fazendo? Elogiando os mortos? Escrevendo em lápides? Cantando a glória que nem chegamos ter? Com 18 quilates de ouro, o vaso sanitário América foi moeda de troca entre o Van Gogh, solicitado ao Guggenheim pelo presidente Trump para a Casa Branca. Por incrível que pareça, trata-se de uma peça funcional, do artista italiano Maurizio Cattelan, que está avaliada em 1 milhão de dólares, e no museu onde estava exposta podia ser usada, literalmente, pelos visitantes para suas necessidades inadiáveis. Será que algum alagoano teve a chance de deixar sua ?obra? na América e, sobretudo, no Guggenheim? Fascinante experiência para a história da arte (tida) contemporânea

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