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Rostand e Eduardo Jorge: saudades

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Ultimamente me tenho apercebido da rapidez no transcurso do tempo. Nem bem o sol desponta, na segunda-feira, para rapidamente se pôr na sexta, e lá se foi mais uma semana. Corremos tanto, o tempo passa tão rápido que não sentimos seu fluir. Parece haver sido ontem, mas já transcorreram seis anos daquela manhã, quando, de forma costumeira, deixei minha residência com destino à Ufal, onde ministraria aulas. Já percorrendo a Via Expressa, um sentimento muito forte me levou a desviar a rota e retornar à Ponta Verde, onde em seu apartamento, meu pai, Rostand, convalescia de enfermidade que o atormentava já há três meses. Lá chegando, a enfermeira acompanhante do meu velho amigo falou que sua respiração estava ofegante e a pressão havia diminuído bastante. Marlene, minha mãe, saíra para adquirir remédios. Imediatamente telefonei para o médico que cuidava do caso e ele respondeu: ?Se quiser trazê-lo para o hospital, faça-o. Daremos aspirina e o colocaremos na UTI; mas, se fosse meu pai, deixaria-o deitado onde está?. Já em companhia de minha genitora, que retornara, resolvemos mantê-lo em sua cama. Decisão forte, pois, poderíamos estar decidindo o futuro de uma vida. Exatos quinze minutos depois, meu pai faleceu, e o fez de mãos dadas comigo e Marlene, sua esposa. Por hipótese alguma o tempo transcorrido entre minha conversa com seu médico e o último suspiro teria sido suficiente para leva-lo até a unidade de saúde Arthur Ramos, onde estivera internado dias antes. O tempo passa, e novamente estamos vivendo o quinze de março, dia de tristes lembranças por haver perdido, nesta data, meu genitor e meu sogro, cada um possuidor de qualidades inesquecíveis: dois grandes amigos. Já lá se vão seis exatos anos da partida de meu pai após viver exemplarmente noventa e dois. A cada dia imagino a distância que nos separa! O tempo passa, a vida passa, as horas não param, mas minha saudade é permanente. Ah! se eu pudesse ver o meu grande amigo mais uma vez, quantas coisas haveria de lhe contar: sobre a minha vida e seus bisnetos, cada vez mais lindos dos quais ele somente chegou a conhecer o primogênito. Quantos conselhos certamente me ofereceria, estruturado nos quais encontraria soluções para meus problemas. Desde o funeral de Eduardo Jorge, meu sogro, uma figura admirável, inteligente, alegre, sorridente, otimista, verdadeiro cientista da medicina, homem calado e respeitador da vida e do alheio, já se passaram quinze anos. Estivesse, hoje, ele aqui, quantas prosas teríamos a respeito de minhas incursões literárias; quantas orientações me ofereceria; quanta alegria sincera haveria de externar pelas caminhadas que resolvi trilhar. Saudades dos meus dois grandes amigos, ambos falecidos em um quinze de março, embora me sentindo feliz porque, em comum, me legaram a certeza de que, na vida, tudo tem o seu preço. No mundo, o falso e o verdadeiro se confundem, embora os que sabem jamais se iludam, pois, se não é fácil encontrar o caminho, é bom olhar de lado e ver que não estamos sozinhos, jamais estaremos solitários, pois, em meu caso, eles sempre estarão comigo.

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