loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Pelo bem público

Ouvir
Compartilhar

Há algum tempo tínhamos orgulho da coisa pública ? res publica, termo em latim do qual se originou a palavra República. Isso se manifestava principalmente na questão educacional. Fui professor de escola pública e sabia da importância do meu trabalho. Os anos se passaram e o que temos hoje é uma certa aversão ao que é público, de todos. Muitos, a grande maioria do povo brasileiro, têm vergonha de dizer que não possui um plano de saúde ou que o filho estuda em escola pública. O que aconteceu conosco?! Por que fomos desconsiderando o que é nosso e reforçando a individualidade como projeto de vida?! Estive nesta semana na Universidade Federal de Alagoas, conhecendo o Programa de Apoio a Escolas Públicas do Estado (Paespe), coordenado pelo professor Roberaldo Carvalho de Souza. Fiquei impressionado e agradecido pelo fato de termos pessoas conscientes e voltadas não para o individualismo e sim pela valorização do coletivo. Os alunos que participam do Programa não são inferiores, do ponto de vista intelectual ou social, a ninguém, mas as adversidades impostas pela sociedade brasileira justificam um auxílio a mais na formação de todos. É o caso das cotas raciais tão criticadas pelos que acham que o sucesso advém do capital. Após o fim da escravidão, os negros foram entregues à própria sorte. Não podiam frequentar escolas e eram discriminados culturalmente. Fazemos hoje um resgate desse vácuo vergonhoso. É necessário que retomemos o respeito pelo que pertence a todos. Nos países escandinavos, os mais desenvolvidos do mundo, a carga tributária é alta, porém isso permite que o trabalhador que pinta a casa dos mais ricos tenha um filho estudando na mesma escola de quem naquele momento lhe oferece emprego. No Brasil, os mais pobres são os que pagam mais impostos, e não recebem os benefícios que deveriam. O atual Governo, ao invés de preservar nossas conquistas, desencadeou um processo de privatizações que serve para nos distanciar ainda mais do sentido solidário, do orgulho ao qual me referi. Não sabemos aonde iremos com tal projeto, contudo é imprescindível que nos ergamos contra isso. Cabe a nós voltarmos a ver nossa terra como algo uno, e não como um território fragmentado onde interesses individuais prevalecem sobre a noção de Nação. Estou convencido de que minha atividade política tem que ser voltada para a coletividade. Tem sido esta minha trajetória. O professor de escola pública, o engenheiro, o governador são indissociáveis. A razão disso é porque fui forjado num ambiente onde o respeito ao bem público era fundamental para sermos considerados cidadãos. Vou seguir lutando por uma escola pública exemplar e por uma saúde pública que acolha a todos de maneira igualitária sem levar em conta classe social ou credo. A solidariedade tem que ser algo que nos faça ir além do mero aperto de mão. Temos que ver no outro aquilo que de melhor temos em nós mesmos. Não basta apenas manifestar a compaixão com palavras, mas também com gestos, isso nos faz sermos o Brasil.

Relacionadas