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Começa neste sábado, 17, em Brasília, a programação do 8º Fórum Mundial da Água. Pela primeira vez, o mais importante encontro para discutir o uso dos recursos hídricos no planeta acontece no Hemisfério Sul. Cerca de 40 mil pessoas são esperadas na capital federal até o dia 23 de março. O tema do encontro, no Brasil, será ?Compartilhando Água?. O objetivo, segundo os organizadores, é estabelecer compromissos políticos relacionados aos recursos hídricos e incentivar o uso racional, a conservação, a proteção, o planejamento e a gestão da água em todos os setores da sociedade. No leque de temas para a 8ª edição, uma das prioridades serão as mudanças climáticas. Isso porque a mudança do clima significa a mudança do ciclo hidrológico, dos padrões de distribuição de precipitação, das vazões de escoamento dos rios e da ocorrência de eventos extremos. O fenômeno afeta a disponibilidade hídrica para as diferentes atividades humanas e expõe populações a eventos hidrológicos críticos mais frequentes. Para os organizadores, os recursos hídricos, por seu caráter transversal, devem estar também no centro das ações de adaptação, o que requer políticas, planejamento e atuação articulados, envolvendo governos, setores e sociedade. A gestão dos recursos hídricos é um dos grandes desafios atuais da humanidade. A ameaça de escassez tem colocado essa questão no centro das preocupações e disputas em todo o mundo. De acordo com as Nações Unidas, até o ano de 2030, a demanda por água no mundo deve subir em 50%. De todo o esgoto gerado pela população mundial, 80% retornam para a natureza sem nenhum tratamento. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, apenas 50,3% do esgoto doméstico são coletados no País. Isso significa que cerca de 100 milhões de brasileiros não têm acesso a esse serviço. No Brasil, a ideia de que o País é ?abençoado? por abundância de água doce contribuiu para a má gestão de recursos hídricos nos últimos anos, levando ao desperdício sob diversas formas. O uso racional da água é imprescindível para a sustentabilidade e vai além das questões políticas e econômicas. Não basta, porém, as ações do poder público. A gestão integrada dos recursos hídricos requer a participação de toda a sociedade.

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