Opinião
Violência que sangra no coração
Com tanta desigualdade social, fruto do comprometimento de instituições e sua veia política com a corrupção, é um entrave completo aos avanços do desenvolvimento. Os resultados são danosos. Não precisa ser doutor em economia para entender as consequências no universo dos negócios para os que pretendem e arriscam empreender. São minguadas as oportunidades de ofertas de empregos enquanto aumenta a miséria explícita nos números das pesquisas renovadas ano após ano. Os índices de pobreza só avançam e preocupam. Os dados do IBGE, em 2017, mostram que 50 milhões de brasileiros, isto é, 25% da população vivem na linha de pobreza. A região Nordeste paga preço cheio pela cruel sangria promovida pela malversação do dinheiro público. 43,5% dos nordestinos estão enquadrados nesta triste realidade. A violência que aflige a população não é só a que vem das ruas, dos assaltos à mão armada, do domínio absoluto do tráfico nas periferias. Das balas perdidas ou disparos intencionais destruindo vidas inocentes, incluindo crianças e jovens de todas as idades. Anjos que nem tiveram o direito de nascer são assassinados no ventre da mãe! Pais que perdem filhos; filhos que choram a morte dos pais; homens e mulheres que acabam viúvos e viúvas porque companheiros e companheiras foram vitimados pelo terror da criminalidade impune. Tão grave quanto a selvageria, contra a qual estamos sempre em fuga, é a violência da corrupção sistêmica institucionalizada. Violência que sangra no coração da massa trabalhadora do País porque mata a esperança, penaliza milhões de brasileiros que dependem do Estado para ter direito a médico, hospital e remédio; mata a oportunidade de acesso à educação para a juventude carente de tudo; tortura crianças desnutridas porque seus pais desempregados não podem colocar à mesa o alimento necessário para o sustento da família. Na escola, a merenda é roubada pelo crime organizado instalado justamente no meio dos que deveriam trabalhar em defesa da melhoria dos menos favorecidos. Já não há espaço para o velho bordão dos tempos de Paulo Maluf, hoje preso, quando seus defensores se orgulhavam em repetir: ?Rouba, mas faz?. Muito menos o manjado discurso do PT, responsável pela maior pilhagem do dinheiro público que, indiretamente se defende com o argumento de ?roubou para distribuir com os pobres?. Mentira cabeluda! Violência que causa danos irreparáveis na qualidade dos serviços públicos essenciais. Não mata fisicamente, entretanto sangra no coração da sociedade brasileira que ainda não assimilou no espírito da democracia o direito de separar o bem do mal pelo exercício do voto. Não é por acaso a falência da saúde, educação, segurança, saneamento básico e tanto outros. Não é possível o País manter sua economia equilibrada quando só a operação Lava Jato, até então, conseguiu recuperar 12 bilhões de reais roubados. E vem muito mais por aí, se antes suspeitos e acusados não metralharem o avanço das investigações.