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Opinião

Solução verde

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Cerca de 5 bilhões de pessoas viverão em áreas com baixo acesso à água em 2050, caso o padrão de uso da água não seja alterado. A expectativa faz parte do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018 lançado ontem, no Fórum Mundial da Água, em Brasília. O documento propõe a busca de soluções baseadas na natureza, que usam ou simulam processos naturais, como alternativas na gestão da água no mundo. O documento mostra que, apesar da disseminação das tecnologias que envolvem a conservação ou a reabilitação de ecossistemas naturais, esses processos correspondem a menos de 1% do investimento total em infraestrutura para a gestão dos recursos hídricos. O relatório ressalta que abordagens clássicas não permitem que a segurança hídrica sustentável seja alcançada. Já as soluções baseadas na natureza trabalham diretamente com a natureza, não contra ela e por isso oferecem meios essenciais para ir além das abordagens tradicionais, de modo a aumentar os ganhos em eficiência social, econômica e hidrológica no que diz respeito à gestão da água. O Fórum é um grande espaço para a discussão de uma das preocupações da humanidade em relação ao futuro. Entretanto, a presença de apenas dez chefes de Estado no evento evidencia a falta de consciência sobre os riscos da escassez de água para o Planeta. Muitos líderes mundiais ainda não dão a devida atenção ao tema. De acordo com o relatório da Unesco, a degradação dos ecossistemas é uma das principais causas dos desafios relativos à gestão da água. A publicação estima que, desde 1900, entre 64% e 71% das zonas úmidas de todo o mundo foram perdidas devido às atividades humanas. Todas essas mudanças têm gerado impactos negativos na hidrologia, desde a escala local até a escala regional e mundial. Outro desafio mostrado pela publicação é a qualidade da água. Desde a década de 1990, a poluição hídrica piorou em quase todos os rios da América Latina, da África e da Ásia. O documento prevê que a deterioração da qualidade da água se ampliará ainda mais durante as próximas décadas. Como já foi abordado outras vezes neste espaço, trata-se de uma questão urgente, com impacto direto e grave para as próximas gerações. O que o relatório demonstra é que o ser humano pode fazer uma parceria com a natureza, em vez de lutar e querer que ela se conforme com as nossas necessidades.

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