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Por que mais armas não contribuem para a segurança

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Vivemos tempos em que a segurança pública é um dos principais problemas do País na opinião de brasileiros e brasileiras. Abordar soluções e alternativas para minimizar ou solucionar crises sistêmicas envolvendo as diversas frentes das políticas de segurança requer aprofundamento, estudos científicos e responsabilidade. No entanto, onde a pressa e o exame pouco detido sobre um tema tão relevante dominam o debate político, o senso comum promove teorias que trazem soluções fáceis à questão. É o caso, por exemplo, dos projetos em tramitação no Congresso que pretendem revogar o Estatuto do Desarmamento. Não há qualquer estudo empírico que comprove a liberação do porte de armas como fator garantidor de segurança. O direito de se armar tem significado nulo na redução de homicídios e crimes que atentam contra a vida. Este argumento está atestado por pesquisas realizadas por especialistas em segurança pública. Em São Paulo, nos anos 90, em ocorrências de latrocínio, as vítimas portavam armas em 28% dos crimes, ou seja, a presença do armamento aumentou a hipótese de morte. No caso do Rio, o número de mortos era maior em assaltos em que a vítima, por estar armada, reagiu. O Mapa da Violência de 2015 afirma que, construindo uma linha progressiva dos homicídios seguindo a mesma porcentagem evolutiva anterior ao Estatuto durante os anos de 2004 e 2012, mais de 160 mil pessoas teriam sido assassinadas e, portanto, suas vidas foram poupadas. Se hoje vemos o alarmante número de 60 mil mortos ao ano no Brasil, seria muito pior sem esta importante política pública. Apesar do poderoso lobby armamentista, que anseia pelo retorno de um mercado consumidor voraz por se defender, há medidas muito mais eficazes e comprovadas de redução de homicídios. O investimento em educação é uma delas. Segundo pesquisa do Ipea apresentada em maio de 2016, para cada 1% a mais de jovens entre 15 e 17 anos nas escolas, há diminuição de 2% na taxa de assassinatos nos municípios. O estudo mapeou condições educacionais nos territórios com maior número de homicídios para realização de ações para redução de homicídios. Os parlamentares brasileiros precisam compreender que a educação é o vetor de salvação de vidas, e não uma arma carregada com munições que apenas trarão mais dor ao povo brasileiro e serão motivo de alegria e tranquilidade apenas para os donos dos cofres bilionários da indústria bélica.

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