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A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o 21 de março como Dia Internacional contra a Discriminação Racial. A data faz referência ao episódio conhecido como ?Massacre de Sharpeville?, ocorrido em 21 de março de 1960. Naquele dia, 20 mil pessoas protestavam na África do Sul contra uma lei que limitava os locais por onde os negros poderiam circular. Tropas militares atacaram os manifestantes, mataram 69 pessoas e feriram várias outras. A Constituição de 1988 preconiza como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Entretanto, na prática, trata-se de um objetivo ainda muito longe de ser alcançado, principalmente no que diz respeito à questão racial. Os números falam por si. Atualmente, no Brasil, a população negra é a maioria entre os indivíduos com mais chance de serem vítimas de homicídios, de acordo com o Atlas da Violência 2017. De cada 100 pessoas assassinadas no País, 71 delas são negras. Segundo o Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, o assassinato de mulheres, conhecido como feminicídio, também atinge mais a população negra. De 2003 a 2013, o crescimento nos homicídios de mulheres negras teve crescimento de 54%, enquanto entre as brancas caiu 10% no mesmo período. Dados do Ligue 180 ? Central de Atendimento à Mulher mostram que as negras são as maiores vítimas de violência doméstica, representando 58,68% dos casos. No mercado de trabalho a discriminação racial também é bem evidente. A taxa de desemprego é maior entre negros e pardos, ficando em torno de 14,4% (negros) e 14,1% (pardos), acima da média nacional. O salário deles também é mais baixo, segundo o IBGE ? 4° trimestre de 2016. Trata-se de uma realidade que tem raízes históricas e, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, continua a desafiar a sociedade brasileira. O combate a essa realidade exige políticas públicas efetivas, a começar pela educação. O respeito às diferenças, sobretudo às raciais, deve começar cedo para que as relações sociais possam ser transformadas. Só assim, talvez um dia não seja mais necessária uma data específica para promover a igualdade.

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