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Lettergate: escândalo na comunicação da Igreja

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Há poucos dias um escândalo foi gerado no Vaticano com a publicação de uma carta de Bento XVI em resposta a um pedido para que escrevesse uma introdução sobre um conjunto de livros acerca do Papa Francisco. Ao tornar-se conhecido o conteúdo, verificou-se que alguns trechos foram omitidos e a foto que acompanhava a publicação mostrava a primeira página com uma parte desfocada enquanto a segunda estava coberta por livros. Posteriormente, foi publicada na íntegra a missiva, já sob a acusação da grande mídia de que a Secretaria de comunicação havia manipulado a exibição de tal conteúdo. Nesse bojo de gestão da informação, o escândalo ficou conhecido como lettergate e resultou no pedido de renúncia de Mons. Dario Viganò, chefe do departamento. Tive a oportunidade de conhecer o sacerdote através de palestras e, por estar morando em Roma, acompanhei mais de perto seu trabalho na reforma da comunicação do Vaticano. Docente universitário, tem uma mente incrível e muito contribuiu na pesquisa acadêmica em torno da comunicação eclesial. Contudo, sua decisão em tornar pública partes da carta de Bento XVI, da forma como foi feita, constituiu-se em um erro. Quais serias as motivações? São muitas as especulações. Dou aqui uma opinião. Acredito que diante das críticas em torno da teologia de Papa Francisco, o monsenhor viu que parte da carta poderia ser utilizada de forma positiva para uma possível defesa. Então, agiu pela emoção. E no mundo da comunicação, cada gesto deve ser bem claro e certeiro, pois pode ter consequências danosas. Tachado de ingenuidade ou com falta de visão profissional, o fato é que eticamente não se poderia ter feito o ocorrido e isto gerou uma situação conflituosa, que realmente o impedia de continuar à frente do órgão imerso em um projeto colossal de reestruturação. A Igreja agiu rapidamente e o Papa nomeou um outro responsável para a função. Quais as conclusões que podemos tirar disso? Exponho duas. A primeira é a seriedade da Igreja diante de qualquer situação. O ocorrido não reflete nossa identidade e valores, e a resposta é um reflexo da Instituição sobre isso. Segundo: aquilo que pregamos e defendemos é maior do que nós, podendo sermos julgados inclusive pelo que foi proclamado por nós. Isto para mim é grandioso e também assustador, pois revela a nossa pequenez diante daquilo que foi deixado pelo próprio Deus a nós como doutrina.

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