Opinião
Triste estatística
Levantamento realizado pelo portal G1 mostra que, ano passado, o Brasil teve 59.103 vítimas assassinadas ? uma a cada 9 minutos, em média. O dado, inédito, contabiliza todos os homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, que, juntos, compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais. De acordo com os dados do G1, houve um aumento de 2,7% em relação a 2016, quando foram registradas 57.549 vítimas no País. A taxa de mortes a cada 100 mil habitantes subiu e está em 28,5. O número de homicídios e de lesões corporais seguidas de morte cresceu, mas o de latrocínio (o roubo seguido de morte) caiu. O Ceará é o estado que teve o maior crescimento de mortes tanto em número absoluto (1.677 mortes a mais em um ano) como percentualmente (48,5%). Já Alagoas ocupa a quinta posição no ranking do ano passado. É consenso entre a maioria dos especialistas ouvidos pelo G1 que o perfil de quem mata é parecido com o perfil de quem morre. Em geral, são homens negros de baixa renda, com baixa escolaridade, com até 29 anos, e moradores da periferia ? especialmente locais onde o Estado é ausente e não atua com políticas públicas. Além disso, as mortes costumam ter alguma relação com o tráfico de drogas, e o aumento dos crimes violentos está ligado ao fortalecimento e às brigas de facções criminosas. Como já foi abordado neste espaço, a segurança pública é um das áreas mais críticas atualmente no Brasil. Faltam investimentos em prevenção, inteligência e investigação. A impunidade também representa um grande estímulo para mais violência. Por mais bem elaborada que seja, uma lei penal não cumpre seu papel se não houver uma polícia bem preparada e equipada para prevenir e reprimir a violência. É preciso também um adequado sistema de execução de pena e um sistema carcerário que não permitam que presos de alta periculosidade comandem o crime organizado de dentro das celas. O fato é que o País precisa urgentemente de um sistema único de segurança pública, ao qual sejam garantidos recursos orçamentários suficientes para seu funcionamento. Sem isso, de nada adiantarão operações policiais midiáticas ou intervenções federais. As ações devem ser permanentes e integradas, envolvendo todos os entes da federação.