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Engenharia alagoana (VIII)

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VINÍCIUS MAIA NOBRE* Conheço Beroaldo Maia Gomes Rego, desde 1956, quando então, admitido na Comissão de Estradas de Rodagem, atual DER/AL, passamos a trabalhar na pavimentação da BR-101/Norte. Decorridas mais de quatro décadas, aprendi a admirá-lo pela sua obstinação em favor do desenvolvimento da região nordestina e, em particular, de nossa Alagoas. Nascido em 29 de novembro de 1924, no município de Joaquim Gomes, cujo nome é em homenagem ao seu avô, Beroaldo estudou em Maceió, no antigo Liceu, e completou seu curso básico no Recife, nos colégios Pernambucano e Oswaldo Cruz. Fez um brilhante curso de Engenharia Civil e Engenharia Industrial - Modalidade Mecânica, na centenária Escola de Engenharia de Pernambuco. Graduou-se em 1948 e, logo após, esteve na França, fazendo especialização no Instituto Politécnico de Grenoble. Ao retornar ao Brasil, foi trabalhar em São Paulo e, em seguida, veio para sua terra natal. Foi uma constante na sua vida, pensar e colocar em prática suas idéias em favor do nosso crescimento e bem-estar. Assim, foi como engenheiro residente. Diretor da Divisão de Construção e diretor-geral do DER, diretor-geral do Departamento de Águas e Energia, secretário-geral e fundador da Comissão de Desenvolvimento de Alagoas ? CODEAL, fundador e primeiro presidente da Companhia de Eletricidade de Alagoas (Ceal), secretário de Viação e Obras Públicas e coordenador do Complexo Cloroquímico de Alagoas (CQA). Em todos os cargos e funções que exerceu o engenheiro Beroaldo Maia Gomes Rego, realizou trabalhos de grande envergadura, de vultoso alcance para o futuro de nossa infra-estrutura básica. Um deles se destaca: o plano de eletrificação do Estado, o primeiro a ser aprovado pela Sudene. Nele, com sua visão privilegiada, colocou em prática a antecipação da oferta contra a demanda de energia elétrica. Idéia simplesmente brilhante e com grande êxito. A partir do governo Muniz Falcão e em todos os seguintes, nos planos e criações de oportunidades para o nosso crescimento, constataremos sua participação e apoio. A última delas é, sem dúvida, para estudarmos e viabilizarmos o surgimento da tecnópolis Maceió! Participou de muitos cursos e estágios, destacando-se aquele realizado na Seção Especial de Eletrotécnica do Instituto Politécnico de Grenoble, o de Métodos e Técnicas de Pesquisa Social da Universidade Federal de Brasília e o de especialização em Economia, pela Universidade Federal de Pernambuco. Exerceu também muitas funções consultivas, desde a presidência do Conselho Estadual de Trânsito, da Superintendência Municipal de Obras e Viação (Sumov), Conselho de Administração da Companhia Energética de Alagoas, membro do Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (Codeno) e da própria Sudene, como representante de Alagoas em 1960/61. Foi, e ainda o é, um professor de rara competência. Na nossa Escola de Engenharia de Alagoas, ministrou Física, Estatística, Economia, Política e Finanças, Desenvolvimento Econômico e Estatística Aplicada. Na faculdade de Economia da Ufal, ensinou Política Econômica, Política Tributária e Modelos Econômicos. Graças a sua versatilidade, conhecimento e cultura foi sempre agraciado por seus alunos com diversas homenagens e paraninfado várias turmas. Inúmeros são seus trabalhos publicados, a exemplo de ?Expansão da Indústria Mecânica e Metalúrgica do Nordeste??, ??Aspectos Econômicos e Sociais das Secas e a Industrialização do Nordeste?, ?As Indústrias de Base no Desenvolvimento do Nordeste?, ?Aspectos Econômicos e Sociais das Secas e a Industrialização do Nordeste?, ?A Gaseificação do Bagaço de Cana e a Alcoolquímica? (1988), ?A Indústria Canavieira como Indústria de Base no Novo Projeto Nacional: o Proálcool II?. Beroaldo é um estudioso nato. Sempre afirma que a Escola de Engenharia de Pernambuco lhe deu suporte, ensinando-o a estudar e pesquisar. No momento, vem se batendo com afinco, clamando a todos sobre a problemática energética do Brasil. Enquanto o mundo assiste estarrecido a uma guerra cujo objetivo principal é o petróleo e, quando se sabe, que o custo do barril equivale ao custo de poluição, temos aqui no nosso País, solo, clima, umidade e insolação para investimentos na energia renovável da biomassa. Ficamos a lhe agradecer por suas idéias na otimização da nossa matriz energética. Falar de Beroaldo é difícil. O espaço é curto e sua modéstia não tem medida! Não fosse sua esposa, Ruth Nogueira Gomes, não teríamos acesso ao seu extenso currículo (aqui resumido), de inegável valor à causa da engenharia alagoana. Alagoas muito lhe deve e, espera mais ainda de um de seus filhos mais ilustre. * É ENGENHEIRO

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