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Ódio por ódio

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Usura foi a motivação do primeiro homicídio na história da humanidade como nos conta a Bíblia, no livro do Gênesis. Deus demonstrou mais gosto pelo presente recebido de Abel que lhe doou o cordeiro de estimação, enquanto Caim, egoísta e apegado à cobiça, preferiu escolher algumas folhagens da horta para oferecer ao Senhor. Percebendo que a humildade de Abel agradava ao Criador, deixou-se dominar pelo ciúme e ódio até chegar ao gesto extremo de matar o próprio irmão. Ódio por ódio, violência por violência tem sido um dos problemas mais delicados do mundo nos últimos tempos. O fanatismo religioso é o estopim de guerras e conflitos que também incita a propagação do terrorismo responsável por tanta dor motivada por tragédias, privação da liberdade e agressão à dignidade humana. Quando prevalece o ódio esgotam-se as tratativas com foco nos objetivos do bem comum. Uma sociedade dividida pela fúria está fadada a ser um povo sem perspectiva e com forte tendência para resolver suas questões de forma abrutalhada, inconsequente. Não se pode reconstruir um país com tamanha intolerância onde, claramente, há um enfrentamento psicológico, político, jurídico e ideológico e corporações operando literalmente em defesa de interesses próprios. É o que se pode chamar de democracia de mentirinha! Em seu artigo na Veja nesta semana, J.R. Guzzo definiu com propriedade o atual regime brasileiro que não consegue dar ao cidadão nem sequer o direito à própria vida, um mínimo dos mínimos. Na verdade os brasileiros fingem viver num regime democrático como países da Europa e Estados Unidos ? ?a tentativa é copiar sistemas de governo que existem ali, nos quais as decisões públicas estão sujeitas à igualdade entre os cidadãos, às suas liberdades e à aplicação da mesma lei para todos?, escreve o articulista da revista. É apenas mais um factoide nesse universo de privilégios destinados a uma minoria acobertada pelo aconchego do manto protetor do Estado. A lei da igualdade que trata na constituição brasileira só pesa contra os fracos. Como se não bastasse a jogatina para salvar da cadeia criminosos condenados pela justiça; as toscas opções de candidatos para os próximos mandatos presidencial e Congresso Nacional; o debate insolente da corte superior que já disseram ser ?acovardada?, o Brasil navega contra uma onda absurda de ódio. A baixaria das redes sociais chegou aos limites da tolerância, se é que existe limite para suportar abusos de mentiras, calúnias e agressões. O que deveria ser um modelo de aproximação entre pessoas, transformou-se no mundo virtual da banalidade. Não há dúvida de que o ano eleitoral será pautado por fake news sob o comando de cabotinos também chamados de marqueteiros remunerados com muito dinheiro vindo lá, sabe-se de onde! A mancha ódio suja as discussões ?ideológicas?, suja ataque e defesa de mitos salvadores da pátria. Ódio por ódio e a insensatez prevalecem. Rancor e vingança a nada levarão se não à velha ignorância do ?nós? contra ?eles?.

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