Opinião
Imprensa ferida
Não é novidade a afirmação de que a liberdade de imprensa foi uma das primeiras vítimas da devastadora ação militar que tem o Iraque como teatro de operações. Boa parte da mídia internacional tem insistido nessa tecla, e a cada dia com mais razões. As mortes ocorridas no Hotel Palestine, em Bagdá, são uma escandalosa prova da violência direcionada contra a liberdade de imprensa. A principal questão não é se o tanque disparou por livre arbítrio de seus ocupantes ou se o gatilho foi puxado a partir de alguma ordem superior. A principal questão está localizada no fato de que a intolerância está sendo estimulada contra jornalistas e veículos de informação que divulgam versões diferentes das desposadas pelo comando anglo-americano. Aí é onde mora o perigo. Com sua esmagadora força, a coalizão anglo-americana tem enormes responsabilidades além do campo de batalha. O mundo agita-se e merece respostas que não sejam ditadas pelas bocas de canhão. Aos governos dos Estados Unidos e da Inglaterra são cobrados posicionamentos ponderados, capazes de amainar esse agitado clima global temeroso de novos conflitos. É um erro monumental cobrar o engajamento unilateral da imprensa. Os Estados Unidos e a Inglaterra, entre tantos outros, sempre identificaram na liberdade de imprensa um princípio da democracia. Durante décadas, os regimes que ousaram controlar a mídia foram justamente classificados como autoritários, como ditatoriais. Seja à esquerda ou à direita, não se tolerava a pressão estatal e/ou partidária sobre a mídia. Assim foi no caso da crítica ao modelo soviético capitaneado pelo Pravda ou ao formato nazista que teve em Goebels seu principal condutor. Os senhores da guerra de hoje não podem focar a liberdade de imprensa como um de seus alvos. As conseqüências serão ainda mais trágicas para o mundo. Paz e Liberdade de Imprensa, a cada dia, são valores universais.