Opinião
Meu homem amado
Nesses tempos de intolerância e desrespeito à natureza individual, sob o signo do preconceito, resolvi tornar público algo que há muito só guardo no meu coração: estou completamente apaixonado por um homem. Pronto, revelei. Ufa! Agora sim me sinto aliviado, como se eu tivesse tirado o mundo das costas. Já estamos morando juntos há exatos três anos e sete meses. E todo esse período está sendo marcado com amor e dedicação. Confesso que lhe quero muito, meu amor ultrapassa os limites da coerência. Não poupo excessos, é tendência minha atender-lhe os mais variados desejos: se ele quer algo, compro sem pensar no preço; se por acaso sente qualquer dorzinha, logo fico ao seu lado, dando-lhe dengo; se pensa em passeios (ele a-do-ra), de imediato seguro sua mão e saímos mundo afora. Por causa desse excesso de zelo, sou bastante criticado por quem acha que nosso relacionamento não poderia ter tomado proporção tão grande. Acho tolice porque o sentimento é recíproco, sou correspondido por esse meu companheiro. Todos reconhecem nossa cumplicidade. Até nossa enorme diferença de idade não nos atrapalha. Embora eu seja um quarentão e ele, como se diz, esteja na flor da idade, lhe passo sem problemas minha experiência de vida, e ele há muito nota que sua juventude revigora minha existência (sem ele hoje não sou ninguém). Nossa rotina é igual à de qualquer pessoa apaixonada. Nós nos cuidamos, nos admiramos e nos respeitamos, um ao outro. Adoro a presença dele. Quando estamos a sós em casa, em geral, fazemos as tarefas domésticas juntos. À noite, quando chego do trabalho, sempre sou recebido com um abraço carinhoso e uma inevitável declaração: ?Eu te amo, tava com saudade?. Retribuo o afeto com um beijo (longo e caloroso). Acho-o muito fofo. Deixe-me revelar um segredinho: como ele tem medo do escuro, só dorme no momento em que vou para a cama e ficamos agarradinhos, com meu corpo bem colado ao dele; mas não sem antes eu roçar meu nariz em sua bochecha macia, com a intenção de fazer-lhe cócegas. Quando estamos assistindo a filmes, nós nos jogamos no sofá, de rostinho colado e, por horas a fio, nos divertimos como se não houvesse mais ninguém na face da terra. Esse rapaz é minha riqueza, meu bem maior. Vê-lo feliz talvez seja a minha primeira condição para também me fazer feliz. Somos inseparáveis. Outro dia, fizemos um pacto de amor eterno: olhando fundo nos olhos dele, prometi que nunca faltaria afeto no meu coração para lhe dar, ou jamais deixaria de amá-lo por cada minuto da vida; com a mesma intensidade, ele me respondeu que nunca iria deixar a chama da paixão por mim se apagar. Sou um sujeito de sorte. As perguntas se apresentam... De quem vem essa doçura toda que deixa minha vida mais leve? Com quem vivo esse relacionamento tão perfeito? Como se chama esse homem que faço questão de colocar no pedestal e deixo claro que o considero lindo, sexy e amoroso? Qual o nome desse grande amor que me cheira o cangote perfumado publicamente? João Guilherme da Costa Magalhães, meu filho.