Opinião
Rodada decisiva na luta contra a impunidade nacional
Tito Lívio em sua obra A História de Roma, escrita em 59 a.C, escreveu : ?Nenhuma lei se adapta igualmente bem a todos?. A mesma preocupação ocupou a mente de Sêneca em 40 d.C, ao preconizar que as leis precisariam ser simplificadas para que os indoutos pudessem entendê-las e respeitá-las, na perspectiva de que entender o conteúdo das leis era um requisito fundamental para cumpri-las. Mais de dois mil anos depois se constata que aquela premissa que preocupava os pensadores clássicos continua atualíssima em nosso País, onde as leis têm sido grande e perversamente aplicadas diferentemente entre os colarinhos brancos e os desfavorecidos. Os pobres são engaiolados em masmorras mesmo sem processo, enquanto condenados em segunda instância, com o poder financeiro e político a lhes dar sustentação, ficam impunes e debocham do contribuinte, o que é mais uma afronta à cidadania, à democracia e à República, desde que essa tem como regra básica e inalienável a igualdade entre os cidadão perante as leis; assim como a ausência de privilégios. Para piorar o cenário de distopia, grupos movidos pela inabalável cegueira da ideologia, contribuem para a perenidade da impunidade e de radicalização nacionais: o mesmo grupo que faz protestos mais do que justos pela execução bárbara da vereadora Marielli Franco e Anderson, repelem vigorosamente a punição do condenado unanimemente em segunda instância, Luís Inácio Lula da Silva. Ainda pior, para o presente e também para o futuro da Nação e dos que anseiam e lutam por um Brasil minimante mais honesto, digno e decente e com aplicação republicana das leis, é a posição da chamada ?ala Lulista? do Supremo Tribunal Federal. Em um País onde a criminalidade atinge níveis a cada dia mais avassaladores, onde a vida humana vale cada vez menos, onde menos de 7% dos crimes são apurados e onde os crimes de colarinho branco continuam enriquecendo alguns poucos e destruindo a população, tendo como consequência a supremacia da impunidade como regra e não como exceção, a ala Lulista quer livrar o bicondenado Lula e acabar com a prisão em segunda instância e, consequentemente, com a Lava jato e seus avanços na santa luta contra a criminalidade e a impunidade brasileiras. Fica claro que a aplicação das leis no cenário de distopia nacional, para uma parte mínima, mas poderosa da população (ala lulista do STF, políticos corruptos, membros do Executivo e outros privilegiados envolvidos na grande teia da criminalidade brasileira) e para certas facções ideológicas cegas por dogmas historicamente desmoralizados é insignificante; e não lhes importa que estejam engrossando as fileiras da abominável criminalidade brasileira. Para livrar o bicondenado Lula da prisão, não lhes incomoda que o Brasil seja entregue definitivamente à criminalidade: contudo, ficarão marcados na História como cúmplices da criminalidade de colarinho branco, dos privilegiados poderosos e adversários da imaculada luta contra a impunidade que tanto envergonha a Nação. Se essa vertente que associa à ala lulista do STF, a corruptos temerosos da aplicação das leis, às facções ideológicas inconsequentes (turma do quanto pior, melhor) e à que tem desprezo total pelo Estado de Direito conseguir ganhar essa parada, abre-se imenso espaço para a radicalização de candidatos como Bolsonaro e outros, que atraiam os muitos desiludidos com a democracia e estejam dispostos a usar também meios radicais. Bom senso e responsabilidade fazem-se necessários e indispensáveis mais do que nunca no Brasil.