Opinião
Obras paradas
Reportagem exibida pelo telejornal Bom Dia Brasil mostrou que, das 19 obras que estavam em andamento na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), oito seguem inacabadas. A obra do complexo esportivo, por exemplo, deveria ter sido entregue no ano passado. Em 2016, o Ministério da Educação apontou mais de 200 obras paradas em 41 universidades espalhadas pelo País. Apenas 23,4% dessas obras foram concluídas e 43,4% continuam paralisadas. O principal motivo é o corte de verbas, que se intensificou a partir de 2015. A paralisação de obras não é novidade no Brasil. Um levantamento feito no ano passado pela Confederação Nacional dos Municípios mostra que mais de 8,2 mil obras estavam paralisadas em todo o território nacional. Além disso, havia outras 11 mil obras que deveriam estar em andamento, mas ainda não tinham sido iniciadas. O cenário é resultado de um atraso no repasse de verbas do governo federal para os municípios. A maioria das obras paradas é de uso público, como espaços esportivos, praças, pavimentação de vias, construção de unidades públicas de saúde e de habitação social, mas há também obras de grande porte, como duplicação de rodovias, expansão de ferrovias e saneamento. A questão dos recursos não é a única causa. Ao mesmo tempo que o governo perdia capacidade de investimento por causa da crise econômica, os escândalos de corrupção envolvendo grandes empreiteiras acabou causando a falta de crédito para as empresas e a interrupção de muitas obras, em que foram detectadas irregularidades. Para tentar resolver o problema, o governo federal lançou em novembro do ano passado o programa Avançar, que prevê investimentos de R$ 130 bilhões para concluir mais de 7 mil obras paradas até o fim deste ano. A paralisação de obras representa prejuízos não apenas econômicos, mas também sociais, já que os projetos beneficiam diretamente as comunidades. O maior desafio do poder público é evitar que esses empreendimentos se transformem em grandes esqueletos Brasil afora e causem ainda mais prejuízos para os cofres públicos e para a população. Para isso, é preciso que o País melhore a gestão dos recursos, evitando o desperdício e a falta de planejamento adequado, e aperfeiçoe os mecanismos de controle para coibir a corrupção.