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Na última quinta-feira, o IBGE divulgou que o índice de desemprego no Brasil atingiu 12,6% no trimestre encerrado em fevereiro de 2018. Isso significa que 13,1 milhões de pessoas estão desempregadas no País. A taxa de desemprego ficou maior do que a registrada no trimestre móvel encerrado em janeiro, de 12,2%, na segunda alta consecutiva após nove trimestres de queda. Outro fator preocupante é que a quantidade de empregados no setor privado com carteira assinada ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior, porém é o mais baixo de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Já o número de empregados no setor privado sem carteira assinada diminuiu em 407 mil pessoas (ou 3,6%), para 10,8 milhões. Nos últimos meses, o governo tem alardeado que a economia brasileira está em franca recuperação. De fato, do ponto de vista dos números, o País parece estar se distanciando cada vez mais da recessão. A inflação está em níveis civilizados, a taxa de juros também foi reduzida ao patamar mais baixo da história, e o PIB vem registrando crescimento, embora ainda tímido. Entretanto, boa parte dos brasileiros ainda não sentiu esse cenário positivo. A inflação está em queda, é verdade, mas alguns preços que impactam diretamente o bolso da população subiram muito, como é o caso da energia elétrica e dos combustíveis. O que mais preocupa, sem dúvida, é o emprego. O medo de ficar sem trabalho, principal problema gerado pela crise de 2015 e 2016, travou o consumo, provocando a queda nas vendas. Os empresários, por sua vez, se retraíram. O governo conseguiu aprovar uma reforma trabalhista no Congresso com o argumento de que as novas regras iriam ajudar a gerar novos empregos, mas não é isso que se tem visto. Por enquanto, o efeito mais visível da reforma tem sido o aumento da informalidade. Parece ser consenso entre os economistas que o desemprego só vai cair quando os investimentos voltarem. Para isso, é preciso o equilíbrio fiscal, que determina a capacidade do governo de financiar os investimentos. O cenário político, confuso, gera incertezas no mercado financeiro. Nesse contexto, o brasileiro continua a expectativa de dias melhores. Se já conseguimos sair do fundo poço, ainda falta muito para voltarmos àquele ambiente de prosperidade da década passada.

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