Opinião
Na hora H quem resolve é a velha mídia
Em minha atividade profissional nesses quarenta anos enfrentando desafios de fazer publicidade num Estado de economia instável e muitos altos e baixos, destaque para as décadas de 70/80/90, é natural que vivi intensamente grandes mutações nos meios de comunicação. Da linotipia que já representava excepcional avanço para a imprensa; o clichê que oferecia mais velocidade na impressão dos jornais. A primeira impressora rotativa cedida pelo Diário de Pernambuco ao Jornal de Alagoas, um passo importante para a era offset, nova feição gráfica para o agrado dos leitores. O primeiro jornal do Nordeste impresso em cores, a Gazeta de Alagoas aos 84 anos resistindo com denodo às intempéries de mercado, líder na preferência do alagoano. A chegada da TV quando muitos ?entendedores? pessimistas afirmaram ser o fim do rádio. Esse mesmo rádio até hoje vivo, informando e levando entretenimento nas cidades, na roça e estádios de futebol. A transformação do século 21 com o digital e as redes sociais têm contribuído pela velocidade da informação, mas não é a solução para todos os sintomas na relação mercado e público. Muitos publicitários e anunciantes perderam dinheiro por acreditarem no milagre do clique revertendo-se em negócios milionários. Pelo contrário, a internet, por meio de suas plataformas, tem sido, sim, um canal de falsas relações pessoais, informações indiscriminadamente errôneas e forte fabricante de mentiras, agressividades e outras seríssimas e graves consequências a partir das redes sociais. Até plataformas desejadas e poderosas sofrem da crônica crise de credibilidade. O Facebook, com todo o aparente poderio, não inspira confiança aos internautas. Mark Zuckerberg, seu mentor e executivo-chefe, na hora do aperto não teve saída, senão apelar para quem verdadeiramente veicula credibilidade. A ?velha? e tradicional mídia, jornal e TV, foi sua carta de alforria para pedir desculpas pela quebra da privacidade de 50 milhões de usuários na entrega de dados a uma consultoria eleitoral. Como o maior império digital do planeta, Mark não viu no seu Facebook um meio de confiança para se defender da grave acusação. Nove títulos de edições impressas nos Estados Unidos e Reino Unido e a CNN foram espaços de boa relação de confiança do público onde lavou sua roupa suja. Marcelo Rech, Presidente da ANJ, escreveu em artigo reproduzido por várias mídias no Brasil: ?Com seus anúncios, o que Zuckerberg sinalizou é que, para fazer frente à acelerada corrosão do submundo digital, ele também precisa ancorar a reputação de sua empresa em baías seguras, protegidas do vendaval de bits que varre o planeta e recria a realidade ao gosto de cliente e no engano do freguês?. A Folha de São Paulo deixou recentemente de publicar matérias no Facebook para não confundir as notícias produzidas pelo jornal misturando-se com o conteúdo deliberadamente mentiroso, as chamadas fake news. Não é demais dizer que a plataforma do Facebook vem perdendo espaço como fonte de acesso a site de jornalismo. A mídia digital como apoio aos grandes meios de comunicação de massa e para alcançar novos públicos mais distantes do tradicional é, sim, uma boa estratégia se planejada com inteligência. O número de vendas atribuído diretamente à publicidade da internet no Brasil ainda é muito baixo. Alguns insistem, mas nem toda publicidade tem perfil para ser exibida nas redes sociais, com eficácia.