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Opinião

Ainda um sonho

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Há exatamente 50 anos, o pastor protestante e ativista Martin Luther King Jr. era assassinado a tiros por um franco-atirador na cidade de Memphis. Ele havia se tornado o maior líder americano na luta dos negros por igualdade e na defesa dos direitos civis. Os movimentos liderados por ele pediam o direito de voto e o acesso a emprego e a serviços públicos. Assim como aconteceu com presidente Kennedy, as circunstâncias da morte levantaram suspeitas de conspiração. O sonho do Luther King, expresso no famoso discurso proferido junto ao Capitólio a 28 de agosto de 1963, após a Marcha sobre Washington, era de que um dia os seus filhos ?fossem julgados não pela cor da pele, mas pela força do seu caráter?. O líder religioso é considerado o principal militante da não violência contra a discriminação racial na legislação norte-americana. Suas campanhas o levaram a percorrer 9,3 milhões de quilômetros durante 13 anos, nas quais falou 2.500 vezes em público, foi preso pela polícia em mais de vinte ocasiões e agredido fisicamente algumas vezes. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos têm um passado de escravidão, opressão e racismo, mas há particularidades no contexto histórico. Nos EUA, após a escravidão, os afro-americanos passaram a ser identificados como negros e pelo processo de segregação, fatores que se tornaram determinantes na formação da identidade negra e no fortalecimento da comunidade negra americana, algo que não ocorreu no Brasil. Lá, a segregação racial era escancarada e oficial, com leis que determinavam até o espaço físico de cada um. Por aqui, a segregação nunca foi oficial, o que facilitou a convivência diária. Por outro lado, produziu um racismo subjetivo e sofisticado, mais de natureza social do que propriamente racial. No Brasil, os negros são maioria das vítimas da violência e os que mais sofrem com a pobreza, com a baixa escolaridade e com o desemprego. A boa notícia é que a sociedade está condenando o preconceito e colocando-o em evidência como nunca o fez antes. Trata-se, sem dúvida de um grande avanço, que representa uma nova tomada de consciência social. O caminho, entretanto, ainda é longo. Mesmo com os avanços das últimas décadas, o sonho de Luther King, que serve para o mundo inteiro, permanece como uma utopia.

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