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O avanço que falta

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Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em parceria com o movimento Todos Pela Educação, aponta que 26% dos entrevistados consideram o ensino no nível médio do País como ruim ou péssimo. Em 2013, quando levantamento semelhante foi feito, o percentual era de 15%. No nível fundamental, o percentual passou de 18% para 27%. O percentual dos que consideram o ensino médio como ótimo ou bom caiu de 48% para 31% e no ensino fundamental o percentual passou de 50% para 34%. Segundo a pesquisa, apenas 12% dos brasileiros acreditam que o aluno do ensino médio das escolas públicas está bem preparado para se inserir no mercado profissional e 23% dizem que está despreparado. Não é novidade para ninguém que a qualidade do ensino público no Brasil está muito aquém das necessidades do País. Há dois anos, os resultados da Prova Brasil, que avalia o desempenho de alunos do ensino fundamental, revelou que 65% dos alunos brasileiros do 5º ano não sabiam reconhecer um quadrado, um triângulo ou um círculo. Além disso, cerca de 60% não conseguiam localizar informações explícitas numa história de conto de fadas. Entre os maiores, no 9º ano, cerca de 90% não aprenderam a converter uma medida dada em metros para centímetros, e 88% não conseguem apontar a ideia principal de uma crônica ou de um poema. O mais grave é que o governo investe um volume grande de recursos no setor, mas, muitas vezes, esses recursos não chegam aonde deveriam chegar, seja pela má gestão, seja pelo desperdício ou pela corrupção. Para melhorar o desempenho dos alunos do ensino básico público é preciso, antes de tudo, que os professores sejam bem formados e valorizados profissionalmente. É também necessário estruturar e equipar melhor as escolas e estimular a participação das famílias. Há quase três décadas, a educação se tornou um direito garantido pela Constituição. Desde então, duas grandes políticas públicas foram responsáveis pelo tímido avanço da educação brasileira: a universalização do ensino básico, que garantiu a matrícula de toda criança na escola, e o sistema de avaliação do ensino. Falta, entretanto, avançar na qualidade.

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