Opinião
Ações integradas
Nas últimas décadas, o combate ao crime organizado passou a ser um dos maiores desafios do poder público. O fenômeno se originou na década de 1970, com a aceleração do processo de urbanização do País, e se fortaleceu alavancado, principalmente, pelo tipo de negócio com que ele se envolveu, altamente lucrativo: o tráfico de drogas. O problema acontece em todas as regiões, principalmente nas áreas metropolitanas. Em Alagoas, não é diferente, e a Secretaria de Segurança Pública garante que tem investido em inteligência e força para combater o poder paralelo dos criminosos, como mostra reportagem deste fim de semana da Gazeta de Alagoas. Especialistas apontam algumas medidas necessárias para atacar esse problema. A primeira seria uma reforma do sistema penitenciário, que, superlotado, transformou-se numa universidade do crime. A proposta é que crimes de menor potencial ofensivo sejam punidos com penas alternativas, deixando a cadeia apenas para criminosos de grande periculosidade. Outro ponto fundamental é a integração das ações. A falta de um banco de dados unificado entre as forças policiais no Brasil é uma das fraquezas que alimentam o crime organizado. Além disso, é necessário haver uma maior integração entre as polícias. Alguns defendem até a unificação das polícias Civil e Militar, sem dúvida uma medida polêmica. De qualquer forma, ambas as corporações precisam concentrar-se em seu objetivo único, o combate ao crime, e elevar a cooperação mútua. O enfraquecimento de uma das corporações não leva ao fortalecimento da outra. Além disso, o Brasil precisa, urgentemente, fortalecer o controle das fronteiras, por onde passa grande quantidade de drogas e armas. Trata-se de um mercado que floresce porque o Brasil tem apenas 14 delegacias da Polícia Federal, com menos de 1.000 agentes, para tomar conta de 11.600 quilômetros de fronteiras com os quatro vizinhos. Uma integração com os países vizinhos também é necessária. Não basta, porém, atacar as consequências. É preciso também que o poder público implemente políticas sociais capazes de oferecer à população mais jovem alternativas ao mundo do crime. A ação dos criminosos floresce onde o poder público se omite. Um combate efetivo ao crime organizado deve ser uma combinação de força, organização, inteligência e políticas sociais.