Opinião
Cad� o p�s-guerra?
E a guerra continua. Apesar do desmoronamento evidente do governo Saddam Hussein, a paz ainda não anunciou o ar de sua graça e civis continuam morrendo, como mostrado ontem pela TV Globo (quando um carro com três civis iraquianos não entendeu a ordem de parar, dada por soldados em um tanque americano). A guerra continua em outras frentes e a anarquia que grassa no Iraque surpreende invasores e observadores internacionais. O desaparecimento da ditadura de Saddam fez aparecer multidões de vândalos, que entre uma e outra demonstração de bajulação aos soldados anglo-americanos, lançam-se à pilhagem com um ímpeto impressionante. Nessa confusão, o sumiço de Saddam é acompanhado pela evaporação da resistência convencional. Guarda Republicana e Fedaiyns eclipsaram-se num passe de mágica. Mas homens-bombas continuam fazendo suas aparições trágicas. Ao mesmo tempo, recrudesce a batalha para ocupar posições no pós-guerra (período que já deveria ter começado oficialmente). Os governos americano e inglês conseguiram esconder mais suas divergências intestinas, mas não lograram mostrar uma proposta viável para um novo governo no Iraque. Para o espaço vazio, Bush saiu na frente e indicou um general americano para comandar a nova colônia, e ao mesmo tempo, apresentou (pronta e acabada) uma proposta de divisão do Iraque em três áreas administrativas (e naturalmente já antecipou que tem os três nomes para esses postos). Cauteloso, o velho leão inglês fala menos e costura mais nos bastidores. Enquanto se discute formas de organização e nomes para o novo governo, outro tipo de tropa movimenta-se no campo de batalha da ?reconstrução física? do Iraque. As obras são tão monumentais que nenhum governo, nenhum economista nem mesmo a imprensa especializada arriscou-se, até agora, a especular sobre as cifras desse projeto. Todos só sabem como serão pagas essas obras. O petróleo iraquiano será torrado nos cobres, gota a gota. Pelo controle das torneiras dos oleodutos do Iraque, a guerra continua.