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Uma nova base

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O Ministério da Educação entregou, na terça-feira, ao Conselho Nacional de Educação, a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio. O documento vai orientar os currículos dessa etapa e estabelecer as habilidades e competências que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo do ensino médio em cada uma das áreas. Deverá ser analisado e aprovado pelo CNE antes de começar a valer. Para isso, será feita uma consulta pública. A BNCC do ensino médio é organizada por áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Apenas as disciplinas de língua portuguesa e matemática aparecem como componentes curriculares, ou seja, disciplinas obrigatórias para os três anos do ensino médio. Os alunos deverão cobrir toda a BNCC em, no máximo, 1,8 mil horas. O tempo restante deve ser dedicado ao aprofundamento no itinerário formativo de escolha do estudante. Para especialistas, as mudanças propostas vão exigir muito investimento na formação de professores, além de adaptações nas escolas. Isso ocorre porque se trata de um trabalho por área de conhecimento, em que se reforça o caráter da interdisciplinariedade. Professores de disciplinas que compõem a mesma área precisarão estar integrados, e isso terá de ser feito já a partir da universidade. Outro alerta dos especialistas é quanto à possibilidade de um aumento das desigualdades na educação. Sabe-se que os Estados têm condições diferentes tanto técnicas como financeiras para construir seus próprios currículos. O documento também é visto com ressalvas pela falta de objetividade nas habilidades e pelo fato de estar muito genérico. Já não é de hoje que se discute a crise no ensino médio, marcada pela grande evasão e pelo baixo desempenho. Isso ocorre por dois motivos: as lacunas de aprendizagem acumuladas nas séries iniciais e o currículo enciclopédico e fragmentado. Vivendo num mundo cada vez mais competitivo, os estudantes tendem a perder a motivação de estudar matérias cujo conteúdo é voltado basicamente para o Enem. A nova base é uma tentativa de corrigir essa distorção, mas precisa ser bem discutida, caso contrário a emenda sairá pior do que o soneto. Além disso, modernizar o currículo não basta. Como já foi dito, é preciso investir na estrutura das escolas e na formação e valorização do professor.

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