Opinião
Riqueza concentrada
Dados da pesquisa ?Rendimento de todas as fontes de renda 2017?, divulgada ontem pelo IBGE, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mostram que o Brasil terminou o ano passado com o índice Gini, principal medida da desigualdade de renda, estável. A desigualdade subiu em todas as regiões, com exceção do Sudeste. Ressalte-se que, apesar de o quadro não ter se alterado muito, o Brasil continua entre os países com maior desigualdade no mundo. A soma dos rendimentos recebidos por todos os brasileiros em 2017 foi de R$ 263,1 bilhões por mês, em média. Desse montante, 43,3% estavam concentrados nas mãos de 10% da população do País. Já a parcela dos 10% das pessoas com os menores rendimentos detinha apenas 0,7% da massa. Apesar de ser um país rico em recursos naturais e com um Produto Interno Bruto figurando sempre os dez maiores do mundo, o Brasil é extremamente injusto no que diz respeito à distribuição de seus recursos entre a população. É bom lembrar que o Brasil vinha em um processo de avanço, até 2014, graças à valorização do salário mínimo, à ampliação do acesso ao crédito e aos programas sociais, principalmente o Bolsa Família. Com a crise econômica, entretanto, esse movimento foi abortado. A crise no mercado de trabalho fez a renda do brasileiro encolher em 2017, como mostram dados do IBGE. Estudo das Nações Unidas já apontaram como principais causas de tanta desproporcionalidade social a falta de acesso à educação de qualidade, uma política fiscal injusta, baixos salários e dificuldade da população em desfrutar os serviços básicos oferecidos pelo Estado, como saúde, transporte público e saneamento básico, direitos previstos na Constituição Federal. A desigualdade na distribuição da renda e das oportunidades de inclusão econômica e social representa o principal determinante dos elevados níveis de pobreza que afligem a sociedade brasileira. Para especialistas, acabar com o problema da desigualdade no Brasil exige uma combinação de democracia com eficiência econômica e justiça social. É preciso estabelecer estratégias que não descartem a via do crescimento econômico, mas que enfatizem, sobretudo, o papel de políticas redistributivas que enfrentem a desigualdade.