Opinião
Teu nome? É esperança!
Meu caro leitor, gostaria de partilhar com você o que andei pensando, provocado por um interessante texto do Pe. Julián Carrón. Espero que também você seja provocado... A existência humana é eterna e estrutural insatisfação, desejo, espera ? espera que, fundamentalmente, significa esperança... Mas, por que esperamos? Alguém nos prometeu alguma coisa para esperarmos assim? Ora, precisamente nesta esperança teimosa e inevitável, aparece a estrutura mais profunda do nosso ser humano, a nossa essência: somos todos um desejo, uma sensação de incompletude, um anelo pela saciedade, pelo descanso do coração, pela plenitude da vida... Esperamos porque está na origem mesma da nossa criação, no âmago da nossa estrutura, na nossa raiz: quem fez o homem (terá sido Alguém? Terão sido simples e autômatos dinamismos que os astrofísicos descobrem aqui e acolá? Terá sido só isso: uma natureza cega, que não pensa, não ama, não espera nada?!). Repito: quem fez o homem, fê-lo como promessa, como saudade, como constante espera que teima em ser esperança! O homem essencialmente é ?esperante?, um esperançoso, um mendigo de Algo que o complete, que o leve a si mesmo de modo pleno e, finalmente, faça-o descansar o coração! Bicho homem! Animal estranho, que somente se sente ele mesmo se se superar a si próprio em direção ao Infinito! Homem, olha que teu nome é saudade, teu sobrenome é esperança, tua herança é uma contínua espera! Olha bem, que não podes arrancar de ti esta espera ? ela faz parte da estrutura da tua natureza! Não foste tu que decidiste esperar, que te fizeste assim! Tu esperas e pronto! Esperas porque és humano e, sem espera, sem esperança, sem saudade e procura do mais adiante, do mais além, deixarias de ser humano! Esperança, espera! Não podemos suprimi-la de nós (quando o fazemos, adoecemos, fenecemos, morremos, ainda que biologicamente vivos)! Podemos acolher a vida como espera ? e, então, abrir-nos para o que nos foi prometido: a Plenitude-Que-Vem, que nos será dada, da qual já pregustamos algo neste mundo e nesta vida. Podemos também contrariar a esperança, odiá-la e, enganosamente, covardemente, entreter a vida em miudezas, em bugigangas insignificantes, dizendo para nós mesmos: ?Ah, isto é importante, isto é minha vida, isto me faz feliz!? ? E o coração, e a vida, e a espera danada, teimosa, dizendo baixinho, incomodando-nos: ?Mentiroso! Mentiroso! Tu não és feliz, tu não és pleno! Tu foges, alienado de ti e da verdadeira natureza tua! Criado para voar como águia, rastejas como um réptil visguento!?. Pronto! Não há como correr, como fugir: ou assumo que minha vida é uma espera por um Definitivo que sacie toda minha esperança ou meus dias serão vividos como esforço covarde para fugir da natureza mais profunda do meu coração, negando-me, contentando-me com migalhas! Assumo, pois; admito, pois: ?Eu espero no Senhor!/ Sim, espero!/ A minha alma espera no Senhor!/ Mais que o vigia espera pela aurora,/ Israel espera no Senhor!? (Sl 121/120).