Opinião
A instituição mais democrática do mundo
Vivemos o primeiro quartel do terceiro milênio e não aprendemos ainda sobre igualdade entre povos. A soberania é um direito de todas as nações, no entanto, esta (soberania) não tem medida igualitária porque a riqueza é quem a promove. Um rico facilmente se associa a outro. Riqueza atrai riqueza. Um pobre conta suas migalhas e dificilmente se une a outro igual. Um pobre somado a outro são dois pobres. O sonho de uma sociedade de direito resiste ao poder. E a concentração de riquezas nas mãos de poucos é o poder. Hoje eu tenho dúvida se o poder emana mesmo do povo. Na verdade eu nem sei o que posso chamar de povo, porque assim como Roma com o lema ?O Senado e o Povo Romano?, o povo não se faz representar. Não falo dos efeitos do capitalismo, na sociedade de consumo, nem apologia ao socialismo, porque na verdade, nem é um nem outro, que contribuem para os efeitos do mundo atual. É o próprio homem com sua ganância e poder. O que leva um multimilionário como Trump chegar à presidência dos Estados Unidos? Será que o seu altruísmo permite dizer que ele está pensando apenas no povo americano? Ou será que Fidel Castro permaneceu no poder de Cuba apenas pelo bem de seu povo? Poder é poder seja no socialismo, no capitalismo ou na Igreja. Por isso, me surpreendo que a democracia inventada pelos gregos nunca atendeu aos interesses do povo, completamente. Sempre há alguém que se sente prejudicado. Por isso vem a lei para resolver os conflitos. Esta é a chamada sociedade de direitos. E direitos iguais. E, olhando por esse lado, não consigo encontrar nada mais legítimo e democrático do que o ato de morrer. A morte é a instituição mais democrática do mundo. Ela não respeita o rico nem o pobre, o sábio ou o analfabeto. A morte não dá a mínima para o poder dos reis, rainhas, presidentes ou senadores, a morte não faz acepção de pessoas e, em momento algum, ela poupa uma criança, porque está no início da vida. A morte não é vingativa e tampouco deixa viver o Papa, apenas porque para o catolicismo ele é o representante de Cristo na terra. A morte é tão necessária quanto a vida. Apelidada de ceifeira, ela mantém o equilíbrio do planeta. Se algum dia a ciência descobrir como vencê-la, será ainda pior do que o atual aumento da expectativa de vida. Não prejudicará apenas a previdência. Dessa forma, se podemos guardar um alento digno e certo é que a maior instituição democrática do mundo, mesmo contra a nossa vontade, vê a todos com igualdade.