Opinião
Sem fronteiras
MARCOS DAVI MELO * T.J.S é um jovem universitário de 21 anos, oriundo do interior do Estado. Acha-se imortal como todos nesta idade. Ou pelo menos achava-se, até há alguns meses, quando sentiu alguns caroços pelo corpo. Não sentia mais nada. Oriundo da classe média, logo teve acesso ao médico. Foram bem orientados e em pouco tempo fecharam o diagnóstico de um câncer linfático. Tumor agressivo, já se manifestou em uma fase avançada, quando os tratamentos não garantem o controle total do mal. T.J.S. tem enfrentado a sua doença com galhardia. Tem uma noção bastante aproximada da sua realidade, mesmo assim não esmorece. Pelo contrário, submeteu-se sem traumas a uma aula prática para alguns dos meus alunos da Escola de Ciências Médicas, a maioria de sua idade. As aulas práticas têm o poder de sensibilizar os estudantes que as teóricas mais elaboradas não têm. Quando o paciente é de uma idade parecida e a doença é grave, o efeito é imediato e o interesse despertado pode no futuro salvar vidas. É necessário despertar a atenção para os fatores de risco do câncer e as possibilidades de se atuar contra eles, prevenindo quando possível e diagnosticando precocemente sempre. Sim, porque alguns tipos de câncer são preveníveis (colo uterino) e outros apenas são passíveis de diagnóstico precoce (mama), o que já é muito bom. Pode-se fazer a prevenção primária, através da dieta saudável: comendo 5 porções entre frutas, verduras e legumes ao dia. Existem substâncias importantes como o licopeno no tomate, para a prevenção do câncer de próstata. Os grãos são recomendáveis, assim como o ômega-3, um tipo de gordura presente nos peixes de água fria, como o salmão. Abolir o cigarro e fazer exercícios: pesquisas têm mostrado a relação entre obesidade, o câncer da mama e outros. A prevenção secundária é composta pelos exames de Papanicolau, para a mulher com vida sexual ativa, a auto-palpação das mamas e a mamografia para as de 50 anos, ou com risco aumentado. Para o homem, o PSA e o toque retal aos 50, a palpação dos testículos e a pesquisa de sangue oculto nas fezes para ambos os sexos. A prevenção é indispensável, mas não evita que alguns tipos de câncer, como mama e próstata, continuem aumentando em todo o mundo. É fundamental o diagnóstico precoce e de imediato o acesso aos tratamentos, que assim podem curar 60% de todos os casos. Esta semana, celebramos o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Em Alagoas ainda persistem dificuldades no acesso de todos os portadores de câncer aos tratamentos. Esforços têm sido feitos, mas ainda existem restrições ao acesso de usuários do SUS. É uma questão de cidadania, que pode ser resolvida com um pouco mais de empenho e sensibilidade dos que definem as políticas de Saúde, minorando o sofrimento dessa gente. Esta é uma luta sem fronteiras, onde qualquer um pode ser vitimado. (*) É MÉDICO