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Primeira cent�ria

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Número de tradicional referência para se analisar o início de um governo a primeira centena de dias do governo Lula teve marca de um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, no qual o presidente fez um balanço de sua gestão e defendeu as duras medidas adotadas ? aumento das taxas de juros e corte nos gastos públicos ? como imprescindíveis diante da dramática situação econômica que herdara do governo anterior. Para o presidente, o ?remédio amargo? adotado foi a única alternativa para recuperar a afetada credibilidade brasileira. Todas as análises ? à esquerda e à direita ? foram coincidentes num ponto: a política econômica adotada até agora pelo governo Lula é a continuação da adotada pelos governos FHC. O conservadorismo exibido pelo governo Lula na condução da política econômica agrada a dirigentes de instituições internacionais, como por exemplo, James Wolfenson, presidente do Banco Mundial, que afirmou estar ?inequivocamente impressionado? e Horst Kohler, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que elogiou a política econômica brasileira. No entanto, a oposição parlamentar conservadora não fez uma avaliação positiva dos cem primeiros dias de governo: o partido de FHC, expondo o ciúme pela apropriação de idéias que considera suas, chamou de ?estelionato eleitoral? as medidas adotadas pelo governo no campo econômico. Mesmo entre a base aliada do governo é visível o desconforto, a ponto de o vice-presidente, José Alencar, afirmar que a situação do País não está nada boa e que é preciso modificar a política econômica para criar as bases para o desenvolvimento e a criação de empregos. Em palestra para parlamentares do Partido dos Trabalhadores, a economista Maria da Conceição Tavares disse que os rumos conservadores na condução da política econômica devem-se à aceitação do acordo com o FMI, firmado em junho do ano passado: ?eu passei mal, vomitei?, disse, acrescentando porém, que não existia alternativa. Quem esperava por mudanças claras vai ter de aguardar... se elas vierem.

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