Opinião
Deficiências
Especialistas que participaram de audiência pública ontem, na Comissão de Educação do Senado, fizeram um diagnóstico sombrio do quadro atual da educação básica no País. Campeão mundial em reprovação e evasão escolar, o Brasil tem um modelo educacional marcado ao mesmo tempo por subfinanciamento e desperdício de recursos, além de desmotivação de boa parte dos estudantes e professores. Os milhões de estudantes que todos os anos são reprovados ou abandonam a escola traduzem um modelo voltado para a exclusão social dos mais pobres, isso porque a maioria dos que desistem ou são reprovados provém das periferias e são negros. São estudantes submetidos a salas de aula superlotadas e desconfortáveis. No desafio de aumentar as verbas para a educação, tramita no Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional que torna o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) uma política permanente. O Fundeb é um dos caminhos para driblar os efeitos do teto de gastos na área social. Evidentemente, apenas aumentar as verbas não é suficiente. É preciso tornar mais eficiente a maneira como esses recursos são investidos, evitando o desperdício e a corrupção. A melhoria da qualidade da educação básica passa também pela formação, pelo aprimoramento e pela valorização salarial dos professores. É preciso que a carreira docente volte a ser atrativa. Modelos educacionais bem-sucedidos estão presentes em vários países e podem mostrar caminhos alternativos para a educação brasileira. Autonomia regional, priorização do bem-estar do aluno, incentivo à interdisciplinaridade e busca pela igualdade de oportunidades são alguns dos eixos centrais desses modelos educacionais de destaque mundial. Por outro lado, como já observou o professor José Goldemberg, o Brasil apresenta algumas características próprias de países em desenvolvimento, entre as quais enorme desigualdade na distribuição da renda e imensas deficiências no sistema educacional. Esses dois problemas estão associados. Pobreza e ausência de escolarização são deficiências que somente poderão ser superadas se enfrentadas simultaneamente, cada uma em seu lugar próprio.