Opinião
Aos bandidos, a lei
Ouço a notícia na Rádio Gazeta. Dois bandidos numa motocicleta roubaram o celular de uma menina de 18 anos que caminhava para a escola, na Jatiúca. E não se contentaram em somente subtrair o objeto da vítima indefesa: agrediram-na covardemente, golpearam-na com tal violência no rosto que ela caiu ao chão, desacordada. A jovem não havia esboçado nenhuma reação nem se negado a entregar o aparelho; simplesmente ficou atordoada com a abordagem, sem saber o que fazer, e bastou isso para que o meliante que estava na garupa partisse para o ataque, numa demonstração insofismável da sua ruindade, do seu ímpeto criminoso, da sua vontade consciente de praticar o mal. Depois da investida os marginais se evadiram, como sói acontecer, e a pobre mulher foi levada por populares para receber os primeiros socorros, profundamente abalada emocionalmente. Se o vagabundo tivesse sido preso em flagrante, logo surgiria quem o considerasse um coitadinho, uma vítima do perverso sistema capitalista que cria as profundas diferenças sociais. Se ele fosse pego pela população revoltada, amarrado a um poste e espancado até a força pública chegar, não faltariam entidades a denunciar a absurda violação dos direitos humanos do agressor e a lamentar os ferimentos que lhe foram causados ? menores, certamente, do que os que ele infligiu à moça assaltada. Estamos fartos dessa hipocrisia estúpida, dessa balela desarrazoada que não enxerga os homens decentes e trabalhadores que todos os dias saem de casa para trabalhar honestamente, enfrentando ônibus superlotados e pagando os seus impostos na luta diária pela sobrevivência, e que de repente são surrupiados por um desocupado que optou pelo caminho mais rápido e fácil para obter os bens que ambiciona. Menino do interior, aprendi cedo que pobreza nunca foi sinônimo de criminalidade nem de vagabundagem. Se assim fosse, todos os filhos de pobres se tornariam criminosos, não estudariam, não se esforçariam, não mudariam a sua condição de penúria à força do seu próprio empenho O marginal contumaz e profissional, que faz da atividade criminosa o seu meio de vida e que se dana a roubar e matar homens trabalhadores, que estupra sem dó mulheres indefesas, que arrasta sem piedade crianças pelo meio da rua, despedaçando-as em via pública, é um ser abjeto, nocivo à sociedade, incapaz de conviver com as pessoas de bem. Há, sim, os que escolhem conscientemente uma vida de crimes. Para esses, que se lhe apliquem as penas da lei, sem chorumelas vãs. Como se diz em Murici, quem não pode com o pote não bota a mão na rodia.