Opinião
Somos o que falamos
A briga secular entre a ciência e a História nos impediu de observar que os rios Tigre e Eufrates são os mesmos mencionados no livro do Gênesis, onde estaria localizado o Jardim do Eden. Por isso, é importante registrar que o Iraque é o dono dos rios e por coincidência, é uma das regiões mais antigas do mundo ? a Mesopotâmia. De lá, teria vindo Abraão para a Terra Prometida, falando o aramaico, uma língua praticamente extinta que se misturou ao dialeto cananeu e fundou o Hebraico. Até então, uma parte dessa história não coincidia: a propagação da língua Indo, dando origem às línguas europeias. A resposta veio numa escavação arqueologia ocorrida na fronteira da Índia com o Paquistão, precisamente, ao delta do rio Indo, onde foi encontrada a civilização mais antiga do mundo, segundo a Scientific Reports de 25 de maio de 2016. E, quando se fala em civilização, significa que esse determinado povo, já há 8 mil anos, tinha um sistema de governo, religião, economia, compra e venda, alguma tecnologia e uma forma de comunicação falada e escrita. Será que nós, brasileiros, sabemos por que falamos o Português? Na realidade, não foi a colonização portuguesa que nos deixou lindamente a língua como herança. Após o descobrimento, o contingente de homens europeus que aqui chegava para ficar, geralmente, se unia às mulheres indígenas e constituíam uma família. Essa família crescia falando o Tupi-guarani e não o português. E, é claro os Jesuítas também pregavam nessa língua. Com o tempo, o País inteiro falava um idioma que foi chamado de Língua Geral do Brasil. Foi o Marques de Pombal, com a sua intenção de conter os Jesuítas, que sugeriu a Dom José I a proibição da língua indígena e a obrigação de se falar apenas o português. Portanto, falamos uma língua sob a pena da lei. Nosso idioma vem dessa mesma raiz indo, que criou a maioria das falas do mundo inteiro. Daí segue duas ramificações importantes: uma iraniana e outra europeia. Desta última, surgem os ramos: celtas, albaneses, eslavos, bálticos, românicos, armênios, helênicos e germânicos. Os germânicos ainda se subdividem para criar o inglês e outros idiomas, mas o românico (Roma) dá origem ao espanhol, ao catalão, ao português, ao francês, ao italiano e outros idiomas, tratados hoje como simples dialetos. A riqueza filológica acumulada pela língua portuguesa no Brasil, além da influência das línguas europeias, principalmente do latim, grego e árabe (mouros), vem da nossa miscigenação com povos de origem africana, nativos e o francês como língua dominante, até o primeiro quartel do século 20. No mundo contemporâneo o português brasileiro vem se aliando à língua dominante ? o inglês. Não um inglês culto, mas uma espécie de Koiné (Greco coloquial). E é isso que somos.