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Opinião

Digno é o trabalhador!

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Há uma dignidade conferida por Deus ao trabalho, que honra e dignifica a todo o trabalhador, porquanto imita a Deus que trabalhou desde o princípio. Por isso, todo o trabalho é santo e santifica quem o executa, porque cumpre uma vocação original e obedece ao mandamento de Deus. Sendo o trabalho uma obra de Deus, ao executá-lo, estamos em momento de culto e adoração ao Criador. Especialmente porque cada um no seu afazer não está apenas buscando o pão de cada dia, mas está fazendo um bem, prestando um serviço ao próximo e à humanidade em geral. Por isso, por exercer um sacerdócio santo e serviço de Deus, ?digno é o trabalhador de seu salário.? O salário não é favor, agrado ou recompensa, mas um direito divino estabelecido por Deus, portanto, tão sagrado quanto o próprio trabalho, porquanto é mandamento divino. Cabe ao patrão ou empregador reconhecer a dignidade e honra de quem é seu parceiro e sócio no seu próprio ganha-pão e lhe conferir um salário digno, que lhe proporcione qualidade de vida e dignidade. E a dignidade do trabalho e o valor do salário não estão atrelados a quanto estudo e formação alguém tem, posição social ou status, mas ao trabalho em si. Assim sendo, o gari que está de madrugada recolhendo o meu lixo, e o varredor de ruas e praças que sob sol escaldante ou mesmo chuva cumpre sua função, tem a mesma dignidade e honra que a mais alta autoridade e é digno de um salário nobre, porquanto trabalha muitas horas, sob riscos à própria saúde, para nos proporcionar qualidade de vida e proteção. E num contexto de altos índices de desemprego, e de um sistema de trabalho e emprego amparado por leis trabalhistas muitas das vezes injustas, que encaminham cada vez mais pessoas à terceirização que, na maioria das vezes são sub-empregos, quase escravidão, admiro e respeito a todos estes microempreendedores de nossas ruas e praças, que fazem do ?seu carrinho sua empresa?. Que lá bem cedo, antes de muita gente ter acordado, já estão puxando ou empurrando seus pesados carrinhos ladeira acima, para vender seus produtos, cuja renda irá sustentar a eles e suas famílias. Trabalham e trabalham muito! Honremos esses trabalhadores! E aí uma preocupação minha: quantos destes estão cadastrados ou registrados de forma a garantir um auxílio quando doentes ou uma aposentadoria quando idosos? Sei que o Sebrae fornece orientação e amparo para se registrarem como Micro Empreendedor Individual, mas o Sebrae e qualquer outro órgão público é algo burocraticamente muito distante deles. Seria interessante, caso ainda não esteja sendo feito, se o Sebrae ou então alguma Secretaria da Prefeitura constituísse equipes para irem ao encontro destes, não para espantá-los e enxotá-los dos seus locais de trabalho, mas para orientá-los e organizá-los em cooperativas, promovendo o devido registro deles e organizando locais de trabalho descentes e que não perturbem a ordem pública.

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