Opinião
A Democracia, os radicais e os extremistas
Alceu de Amoroso Lima, pensador da oposição democrática ao regime militar de 1964 sintetizou um ideal perene de democracia: ?Democracia é um regime de convivência e não de exclusão. Baseia-se na liberdade, como meio de chegar à ordem?. A escalada da intolerância e da violência relacionadas ao processo político pelo qual passa o Brasil atualmente necessita que essa situação seja abordada sem falsidades. Se extrema esquerda se acha no direito de ameaçar a vida do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, relator da Lava Jato, somente por cumprir exemplarmente a sua função; depredar o imóvel da presidente do STF Carmen Lúcia, manter o magistrado Sérgio Moro sob constantes ameaças, ocupa e depreda imóveis públicos e privados e continua a obstruir as ruas e avenidas, queimando pneus e impedindo os trabalhadores de ir ganhar o seu pão, a extrema direita responde raivosamente com tiros na caravana e no acampamento de Lula. Mas o que se dirá do cidadão normal que não se situa nos extremos desse radicalismo: ele está tranquilo e confiante, ou a corrupção e a impunidade, razão da maioria dos males nacionais, já não lhe é suportável? Antes que as vítimas fatais surjam e o radicalismo se aprofunde ainda mais, pergunta-se: quem poderá ser o poder moderador, o mediador dessa pugna medieval? Descartando o Congresso Nacional e o Executivo, por suas incapacidades de solucionar as suas próprias implicações com a Polícia e o Judiciário, resta unicamente o Judiciário. E o Judiciário em uma democracia não tem outro modus operandi que não seja a prática do Estado de Direito, onde todos têm direitos e deveres iguais. Se Lula, um ex-presidente da República, cometeu crimes, que a cada dia mais se consubstanciam em processos nas mais variadas sedes judiciais, e se Aécio Neves, um senador e ex-candidato à presidência de República e maior nome da tucanagem está em situação quase idêntica ? entre muitos outros criminosos do colarinho branco ? eles precisam pagar por seus crimes. Os antagônicos ao cumprimento do processo judicial são adversários da democracia e do Estado de Direito. A aplicação de uma Justiça vigorosa com punições rigorosas nestas e em situações semelhantes, é simplesmente a prática do Jus Protectionis (direito do Estado de proteger seus cidadãos), em um cenário pantanoso de privilégios e impunidades históricos. Para evitar que a violência avance dos dois lados dos extremistas, ameace a nossa democracia e beneficie os corruptos, é indispensável que o Judiciário, e em especial a Lava Jato, continuem a avançar e a pôr na cadeia quem cometeu crimes contra o erário e contra o povo brasileiro, sejam de esquerda, de direita ou unicamente oportunistas de plantão. A Vis Corporalis, Justiça executada pelas próprias mãos, que se vê crescer no País, é consequência dessa sensação de impunidade, seja no desacato e nas afrontas verbais ao Judiciário e ao Ministério Público e à ordem pública, ou no uso da arma de fogo,e precisam ser tratados igualmente como criminosos, processados e punidos com rigor, só assim, a sede de Justiça nacional pode ser aplacada, a violência política controlada, a democracia preservada e a ordem pública restabelecida.