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Instrumento da democracia

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Foi comemorado ontem, em diversos países, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A data foi criada em 1993 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para destacar o papel do comunicador no mundo, defender a mídia de ataques, preservar sua independência e prestar uma homenagem a jornalistas que perderam a vida no exercício de sua profissão. De acordo com dados da ONG Repórteres Sem Fronteira, pelo menos 29 jornalistas e operadores de mídia foram mortos no mundo desde o início de 2018, sem incluir os nove que morreram durante o duplo atentado no Afeganistão. Em 2017, os jornalistas mortos no mundo foram 65, um pouco abaixo dos 79 registrados no ano anterior. Entre os repórteres mortos no ano passado, havia 50 profissionais, sete blogueiros e oito colaboradores. No Brasil, a situação da liberdade de imprensa melhorou muito, principalmente quando comparada aos anos da ditadura militar, em que a censura era institucionalizada. Entretanto, está longe de ser a ideal. Ainda há um bom caminho a percorrer em nosso país até que se consiga chegar a uma situação razoável de liberdade de expressão e de imprensa. Nos últimos anos, têm-se registrados episódios de violência contra jornalistas, sob as mais variadas formas. Ainda de acordo com a Repórteres sem Fronteiras, no atual contexto de crise e profunda polarização política, o Brasil continua enfrentando velhos problemas relacionados à liberdade de imprensa, como violência, pressões institucionais, processos abusivos e falta de transparência pública. Há muito a liberdade de imprensa é considerada um eficaz instrumento da democracia, pois amplia o acesso à informação, em muitos casos denunciando a arbitrariedade do poder público. Por isso, torna-se muitas vezes incômoda. Evidentemente que a liberdade de imprensa deve sempre se pautar no respeito aos direitos da personalidade previstos na Constituição e seus abusos devem ser combatidos. No atual quadro brasileiro, a imprensa tem papel fundamental. Diante de uma crise, política, econômica e de ética que gera discussões extremadas e inócuas, cabe à imprensa oferecer qualidade a esse debate. Isso se faz com rigor na apuração e pluralidade, para que o leitor e cidadão possa ter subsídios sólidos para formular suas convicções.

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