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Opinião

Nas ruas de Viena

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Desde cedo, praticar esportes tornou-se uma atividade especial em minha vida. No Colégio Marista ou Universidades do mundo afora, onde estudei, competir foi tão importante quanto os conceitos básicos da língua portuguesa, matemática ou mesmo física. Sempre tive uma certeza: disputar estava em meu sangue, era parte de mim. Os tempos passaram e já graduado em Engenharia Civil, abandonei a prática dos esportes coletivos para me dedicar às corridas de rua. Inicialmente cortando avenidas de Maceió e depois conquistando inúmeras medalhas em estados do Brasil para posteriormente alcançar o mundo, sempre dando o meu melhor e cumprindo, com alegria, quilômetros seguidos de artérias famosas em grandes cidades do planeta. Jamais exigi de mim próprio mais do que poderia oferecer, por sempre saber a corrida não ser apanágio para o mais rápido, mas para quem continua correndo. Dias atrás, estive em Viena com o mesmo intuito. Temperatura agradável, cinquenta mil pessoas se deslocavam, ombreadas uma às outras e, ali, naquele meio de uma verdadeira torre de Babel, onde os mais variados idiomas podiam ser escutados, usando a camisa do CSA, o fato de ser brasileiro me enchia de orgulho. Tudo começou na parte moderna da capital austríaca, bem defronte ao prédio das Nações Unidas. Logo depois atingi a ponte imperial Reichsbrucke, cruzando o Danúbio, embalado pela melodia da valsa de Johann Strauss que leva o nome do famoso rio, para chegar ao parque de diversões Riesenrad com sua imensa roda gigante e depois adentrar ao centro histórico, de majestosas ruelas e artérias, imponentes prédios, palácios, museus e calçadas repletas de charmosos cafés. O que mais me deixava feliz era perceber como todos os que ali se encontravam, verdadeiramente me aplaudiam. Lá ia eu... a cada passada, convencido de como a vida não é uma corrida de velocidade, mas de resistência. Por esta razão, pude, ao mesmo tempo deliciar-me com o charme do calçadão e sua famosa ?Coluna Peste?, do Kohlmart esquina com a Graben strass, o boulevard mais famoso da metrópole, antes de atingir o palácio de Hofburg remetendo quem o mira a um passado imperial, vieram após a Stadplatz e Karlsplatz, sem falar no tesouro da arquitetura gótica: a Catedral de São Estevão. Tudo, para meu deleite, ao som das músicas de Mozart, bem interpretadas por inúmeras orquestras estrategicamente posicionadas em esquinas do trajeto. Defronte ao Palácio de Schönbrunn, antiga morada do Imperador Francisco José e da sua esposa Sissi, deparei-me com uma dupla de octogenários. Eles pareciam exultar com aquela experiência, deixando transparecer como, no decorrer dos tempos, se esperarmos pelas condições perfeitas nada faremos. Eu sabia haver conseguido porque, durante toda a existência, treinara minha mente para correr. O resto foi consequência! Os vinte e um quilômetros e alguns metros do percurso se findaram bem defronte ao Burgtheater. Ali, milhares de pessoas pareciam me esperar apesar de ser apenas mais um anônimo. Jamais esquecerei as mensagens de incentivo ouvidas no caminho, nem o casal de velhinhos que me inspirava, ou as dores sentidas na panturrilha, o prazer da agua e das barras de açúcar. Tudo foi fabuloso. Sinto-me de parabéns...

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