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Os militares podem falar?

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As últimas operações deflagradas pela Lava Jato ? a Câmbio , Desligo e a Deja Vu ?, principalmente a primeira, apresentam, segundo o STF, um potencial de estrago nas elites parlamentares, financeiras e no empresariado adepto do capitalismo de cupinhas e de compadrio superior a tudo que a Lava Jato já apresentou. Daí, duas preliminares surgirão: 1) O rebuliço entre os praticantes da roubalheira e os movimentos que irão fazer para escapar das garras da Justiça serão imensos. 2) O clamor da população pela ação rigorosa da Justiça tornar-se-á, inevitável e igualmente, fortíssimo. Delineiam-se poderosos confrontos entre os que usam as leis para defender a corrupção e os que a usam para combatê-la, donde, perguntar-se-á: condenar-se-á a maioria da população brasileira por buscar sofregamente saber se o trabalho e a honestidade valem alguma coisa? Se a corrupção será combatida com rigor? Se a impunidade será enfrentada sem trégua em todos os estratos da sociedade, e especialmente entre os poderosos? Se o crime compensa? Caso as leis ? com a ajuda marota da segunda turma do STF ? sejam usadas novamente para proteger ainda mais esses criminosos, quem atenuará o clamor popular? O respeitadíssimo articulista J. Guzzo da revista Veja em sua última edição escreveu um artigo onde conclama a sociedade para que discuta abertamente a participação dos militares em nossa democracia. Ad latere, a insuspeita UFMG concluiu uma pesquisa em que a maioria respondeu que admite a intervenção dos militares se a criminalidade e a corrupção tornarem-se igualmente incontroláveis. Esta posição limítrofe da sociedade é fruto da sensação de impunidade. Guzzo detalha com equilíbrio e sensatez os muitos que se apossaram das liberalidades da democracia para usá-las criminosamente em proveitos próprios, desprezando totalmente os seus valores reais e do Estado de Direito. Perguntar-se-á: os criminosos que devastaram a economia e as Instituições nacionais continuarão falando alto, ditando normas, afrontando as instituições, devastando o País impunemente e os militares não poderão se manifestar em defesa da sociedade? Aqueles que se abrigaram sob o manto da democracia para proteger criminosos, destruir a economia, aqueles que sempre buscaram restringir a liberdade de expressão e jamais foram verdadeiramente democratas (como Lula e seus devotos: entre tantos outros momentos, é só rever o último discurso do presidiário no Sindicato dos Metalúrgicos) podem tudo, inclusive hostilizar o MPF e o Judiciário, e os militares estarão proibidos de falar? Por que o preconceito? Serão eles uma ameaça maior para o Brasil e a sociedade do que os criminosos, os radicais e os extremistas que devastaram o País? Caso estes criminosos ? responsáveis diretos pelos 13 milhões de desempregados, pela falta de verbas para o SUS, para a segurança pública, para a educação, para o saneamento básico e para os transportes públicos ? continuem impunes, inclusive com o respaldo da Segunda Turma do STF, e a nossa democracia lhes servir de suporte maior para permanecerem roubando impunemente, perguntar-se-á: por que os militares não podem falar? Deixem que falem, e esperemos que a população honesta e trabalhadora não seja ainda mais roubada e humilhada tanto, que, levada ao desespero, apele para eles irem além da fala.

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