Opinião
Tr�duo pascal
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Para a Igreja, esta semana tem um sentido muito especial: a Páscoa, que nos faz viver intensamente o mistério de Jesus Cristo ressuscitado. Com a liturgia dos Ramos, que nos evoca a solene entrada de Jesus em Jerusalém, aclamado Filho de Davi e Rei dos judeus, iniciamos hoje a Semana Santa. A celebração da Páscoa é realizada no chamado Tríduo Pascal, que nos faz reviver sacramentalmente três momentos importantes: a Paixão e Morte do Senhor, na Sexta-feira Santa; a sepultura do Senhor, no Sábado Santo; e sua vitória com a gloriosa ressurreição, no Domingo. Segundo a história, até o fim do século III, a Páscoa foi a única festa anual da Igreja e seu desenvolvimento acontece a partir da Vigília Pascal ? que, de modo singular, celebra a morte e ressurreição do Senhor. Desse modo, a Vigília durante toda a noite do Sábado conduzia os fiéis às riquezas do mistério de Cristo no Batismo, entendido como imersão na Paixão de Cristo, segundo São Paulo (Rm 6,3). Toda essa celebração culminava, ao amanhecer, com a oblação, isto é, com a Eucaristia, que ao mesmo tempo marcava o fim do jejum quaresmal e o início dos cinqüenta dias pascais, ou seja, do Pentecostes. No primeiro dia do Tríduo Pascal, na Sexta-feira Santa, a liturgia nos convida não a um luto e pranto meramente emocional, mas a uma amorosa contemplação do sacrifício de Cristo em sua morte na cruz. Não se trata de um funeral, mas a celebração eloqüente da morte vitoriosa do Senhor, como exclamou o evangelista João: ?Ele me amou e se entregou por mim?. Por isso, a liturgia fala da ?bem-aventurada? e ?gloriosa? paixão. Ela compreende três partes: A Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz ? quando a Igreja, apelando para os merecimentos de Cristo, reza por todos os homens ? e, finalmente, a Sagrada Comunhão. No segundo dia, Sábado Santo, a Igreja fica parada junto ao sepulcro, onde contemplamos a solidariedade de Jesus, morto na cruz, com todos os homens mortos. Nesse dia, a Igreja se abstém de celebrar o sacrifício da Missa e os demais Sacramentos. Ao mesmo tempo, limita-se em recordar este aspecto na Liturgia das Horas com toda a assembléia. Esse momento é afirmado na Profissão de Fé ou Símbolo Apostólico que aprendemos desde a nossa infância: ?Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos?. O terceiro dia, Domingo da Ressurreição, é celebrado na Vigília Pascal. Poucas celebrações litúrgicas contêm tanta riqueza de conteúdo e de simbolismo como a Vigília Pascal. Ela é o centro de todo ano litúrgico, do qual se irradiam todas as outras celebrações que culminam com a oferta do sacrifício pascal de Cristo. Nesta noite Santa, a Igreja celebra, de modo sacramental mais pleno, a obra da redenção e de perfeita glorificação de Deus, como memória, presença e expectativa. A primeira parte da Vigília celebra a luz, porque Cristo, especialmente com a sua ressurreição, é a luz do mundo simbolizado no Círio Pascal. Com a solene Celebração da Palavra, acentua-se na história da salvação o papel de Cristo, palavra do Pai e luz da verdade. Também a liturgia batismal com a bênção e aspersão da água nos relembra que Cristo é a fonte de água viva que jorra para a vida eterna. Enfim, a Celebração Eucarística nos faz reviver o Cristo como nossa Páscoa, cordeiro imolado e glorificado. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ