Opinião
Escalando montanhas
A natureza, tal como foi criada, sempre representou para mim o desempenho dos meus sonhos e fantasias. Nada se iguala aos encantos da criação divina! A minha infância foi povoada por eles, que me faziam questionar tamanha perfeição e, onde se encontrava o autor de tantas maravilhas. A linha retilínea do horizonte, sem curvas e traços exagerados, infinita, sem interrupções e exageros, prosseguindo até onde os meus olhos alcançassem, era quase uma prioridade. Em seguida, as montanhas de tamanhos diversificados, com árvores gigantes, floridas, verdejantes, onde animais deveriam circular sem tropeços e beijando o firmamento de um azul de anil, faziam parte exclusivas da minha imaginação. Nesse dilema interminável, vivia em todas as horas vagas tentando alcançá-las, tocar o seu solo ou mesmo construir em algum local uma casinha para me abrigar e conviver de uma maneira mais confortável em qualquer espaço que me fosse concedido ali. Imaginava que no final de cada uma delas as que tocavam verdadeiramente o firmamento, havia uma porta para o céu, e, facilmente encontraria o proprietário de todo o universo. Assim, os meus olhos viviam fixados nas alturas, a minha imaginação ultrapassava todos os limites, buscando uma maneira de escalar aquelas estradas íngremes, desafiadoras, sendo impossível realizar os meus ideais. ? Se eu conseguir sair às escondidas cogitava sempre, cruzar o rio Paraíba, num instante chegarei lá e tocarei o céu, com toda certeza! Imaginava eu na minha ingenuidade de criança. Um dia descobri que, quanto mais nos aproximávamos do pico das montanhas por mais elevadas que fossem, mas elas se distanciavam do firmamento. Cercada pela decepção e tristeza, resolvi alcançá-las de outras maneiras, pelo processo que Deus nos indicou, talvez, mais prático e que exigia menos esforço físico. Para isso, excluiria da minha e da vida dos que me cercavam uma série de asperezas e fazer opção pela prática do bem, arejando nosso íntimo a cada instante, a cada dia. A humildade figurava como início desse caminhar, a honestidade, os princípios da caridade oculta, aquela que nos faz ?doar com a mão direita, escondendo a esquerda?, a aproximação com os nossos irmãos, filhos do mesmo Pai, sem acumular mágoas e rancores. Jamais sentimentos opostos como o orgulho, a riqueza advinda de bens que não nos pertence, a avareza, crimes e maldades, nos conduzirá ao píncaro dessas montanhas que certamente permitirão um dia, o esperado encontro com Deus! Se assim agirmos, deixaremos uma? herança para a humanidade?!