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Opinião

Herança nefasta

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Há 130 anos, com a assinatura da chamada Lei Áurea, pela princesa Isabel, o Brasil abolia oficialmente a escravidão. Na prática, entretanto, a medida não representou uma melhora na vida dos ex-escravizados, pois o projeto abolicionista não foi seguido de um processo de inserção dos negros na sociedade republicana. Eles continuaram marginalizados. O Brasil foi o último país ocidental a libertar os escravos. Estudos mostram que o País recebido entre 38% a 44% do total de africanos escravizados, que foram espalhados por grande parte do território brasileiro. Longe de ter sido uma concessão da monarquia, a abolição foi resultado de uma luta que reuniu setores da classe média, profissionais liberais e intelectuais. Não se pode desprezar, porém, a resistência dos próprios negros, por meio de insurreições e rebeliões, coletivas ou individuais. A Lei Áurea simplesmente decretava que a escravidão estava abolida a partir daquela data, mas não trazia um só parágrafo sobre o futuro dos ex-escravos. Ou seja, os negros ganharam a liberdade, mas não lhes foram dadas condições mínimas para se tornarem cidadãos plenos. Apesar dos avanços, as estatísticas evidenciam uma desigualdade racial resistente e preocupante. Uma série de dados reforça a existência do racismo no Brasil. Os negros são as maiores vítimas da violência e os que sofrem mais com a pobreza. Têm pouca representatividade nas esferas políticas e renda média muito menor que a dos brancos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE, no final de novembro, mostra que, no Brasil, a população branca ganha 30,8% acima da média nacional, enquanto que os negros recebem 28% abaixo dessa média e os pardos, 29,1%. Enquanto isso, os homicídios são a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil e atingem especialmente negros do sexo masculino, moradores de periferias e áreas metropolitanas. Mais da metade (52,7%) das 52.198 vítimas de homicídios em 2011 eram jovens, dos quais 71,5% negros (pretos e pardos) e 93,04% do sexo masculino. Em relação à questão racial, o grande desafio do Brasil é superar a herança do histórico racista e décadas de ausência de políticas de inclusão.

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