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Entre 1990 e 2011, a taxa de mortalidade infantil no Brasil teve uma queda de 73%, de acordo com um estudo do Unicef. Essa redução expressiva foi resultado de programas comunitários família implementados para oferecer cuidados de saúde primários à população. Melhorias nos serviços de saneamento básico, nos níveis educacionais das mães e nos índices de aleitamento materno e vacinação, além do crescimento na renda das famílias também explicam a queda no índice. Entretanto, de acordo com reportagem publicada neste fim de semana pelo jornal Valor Econômico, os indicadores de mortalidade infantil apontam que esse ritmo de avanço foi bastante reduzido na taxa geral. Depois de 13 anos consecutivos de queda acentuada, especialmente a partir do governo Lula, acendeu-se o sinal amarelo, e a situação volta a preocupar. Em 2016, dado mais recente disponível, o número de óbitos de crianças entre um mês de vida e quatro anos aumentou 11%, segundo números disponíveis no Ministério da Saúde, após 13 anos de queda. A alta em 2016 foi generalizada. Em alguns locais, como Roraima, o número mais do que dobrou. Especialistas estimam que os números de 2017 serão ainda piores. A brutal recessão, somada à crise fiscal, refletida na escassez de recursos públicos e cortes em programas sociais ?, além da grave seca que atingiu locais do Nordeste são apontados como alguns dos fatores determinantes para o aumento das mortes. A situação da desnutrição infantil também piorou. O percentual de crianças menores de cinco anos desnutridas aumentou de 12,6% para 13,1% de 2016 para 2017, segundo dados da Fundação Abrinq. O duro ajuste fiscal implementado pelo governo para equilibrar suas contas atingiu justamente a população mais vulnerável, que vem sofrendo com cortes em todos os programas sociais. Some-se a isso o aumento do desemprego e do preço do gás de cozinha, que tem obrigado muitas famílias a apelar para a lenha outra vez. O fato é que, em muitos aspectos, o Brasil parece ter regredido nesses últimos dois anos, ao contrário do recém-lançado slogan do governo Temer. As consequências futuras serão muitas. É o caso de se perguntar se não é muito mais eficiente e barato investir no desenvolvimento da primeira infância do que corrigir erros na população adulta.

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