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Opinião

Um lendário álbum de rock

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Quando o grupo de rock inglês Dire Straits lançou seu primeiro álbum, em 1978, nem a crítica nem o mercado musical deram àquele disco de estreia a atenção merecida. O grupo passou batido, até mesmo o extraordinário single Sultans Of Swing não teve força suficiente, naquele momento, para levar o Dire Straits à posição de superbanda. Somente sete anos depois, em 1985, com seu quinto álbum de estúdio, chegou ao megaestrelato mundial. O impressionante Brothers In Arms deu à turma de Mark Knopfler o almejado reconhecimento, e o prestígio do qual o grupo tanto corria atrás. O álbum, por si só, é uma peça rara, um objeto de desejo de qualquer amante da música. Tudo nele se encaixa com precisão: da belíssima arte da capa à superprodução e mixagem impecáveis, passando pelas letras inspiradas de Knopfler ? tudo faz de Brothers In Arms um clássico atemporal. So Far Away abre o álbum com uma guitarra minimalista. Não existe ali uma só nota em desarmonia. O fato de Knopfler ser fanático pelo estilo dylanesco não o impediu de se sair melhor do que aquele mestre do folk rock. A música lembra os melhores momentos de Bob Dylan, embora com voz mais pop e refinada (coisas para as quais Dylan não dava a menor bola). Sting se junta à banda para compor e cantar Money For Nothing. Com um riff de guitarra excitante, a canção se torna o ponto de equilíbrio entre o implacável mercado fonográfico (que pede música ágil e refrão pegajoso) e os fãs do bom rock (exigentes quanto à qualidade das músicas). Ambos satisfeitos, a fórmula do sucesso foi desvendada pela banda. O belo arranjo de teclado predomina em Walk Of Life, um tipo de country mais acelerado e não menos intuitivo. Mostrando versatilidade, o grupo traz à luz Your Lasted Trick com uma introdução jazzística à moda de Miles Davis. A música transmite um vigor romântico, bem característico das canções feitas por grupos em meados da década de 80, embora ela seja ainda atual. Os acordes sutis e o solo econômico de Knopfler em Why Worry compõem a melhor música do álbum. Geralmente deixada de lado em detrimento das outras mais comerciais, ela possui arranjo cristalino (todos os instrumentos têm ali a mesma importância) ? e a voz sóbria (e tocante) dá a cadência maravilhosamente melancólica dessa pérola de inspiração rara. A faixa-título, Brothers In Arms, fecha o álbum com brilhantismo. O início, meio progressivo, dá logo espaço para a voz sussurrada de Knopfler. As notas delirantes da guitarra flutuam sobre a base melódica. A letra também é perfeita: um protesto poético da melhor qualidade. Muitas bandas se deixaram influenciar por esse álbum clássico, não era para menos: tudo nele soa moderno, inovador e envolto numa área de talento pouco visto na história da música. O álbum foi feito sob medida pelo grupo para mostrar ao mundo que a guitarra elétrica pode ser muito benquista por todos (e em todos os tempos). Salve, salve, Dire Straits!

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