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Uma revolução brasileira

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Em sua obra O pecado original, José Murilo de Carvalho, professor emérito da UFRJ e imortal da Academia Brasileira de Letras, afirma que o Brasil é um País sem revoluções. Cita a Independência, comandada pela elite nacional educada em Coimbra e pela burocracia luso-brasileira. Ao contrário das independências dos Estados Unidos e das colônias espanholas da América que custaram anos de lutas e milhares de mortes, a brasileira foi acomodada e apaziguadora das elites. Manteve-se a escravidão e o tráfico de escravos até aumentou. Não houve revolução na abolição da escravatura, votada no Congresso quando já era reduzido o número de escravos. Não houve revolução na proclamação da República. Antes, como observou Sérgio Buarque de Holanda, o que se deu foi a implantação do império dos fazendeiros. As revoltas do Primeiro Reinado, e sobretudo, da Regência, eram provinciais e foram sufocadas com relativa facilidade, com a exceção da Farroupilha, que durou dez anos. Não houve revolução em 1930, apenas uma troca de guarda. Em 1964, o movimento que se autodenominou revolução foi o oposto do proclamado. A corrupção institucionalizada no poder e nos agentes públicos minou o corpo político como um câncer. As instituições, sobretudo, as representativas, perderam e credibilidade que um dia tiveram, o que agravou demasiadamente a nossa dificuldade de viver sob um governo da lei, uma condição indispensável a qualquer república que mereça o nome. Não tivemos uma revolução capitalista que nos levasse a uma república democrática pela redução das desigualdades dentro da liberdade, graças ao dinamismo do mercado. Nossos empresários fogem da competição e do risco e não dispensam a proteção do Estado. Pior, o Mensalão e a Lava Jato, demonstram ad nauseam que a elite empresarial nacional se associou umbilicalmente a parlamentares e agentes públicos corruptos para saquear o Erário, implantar a recessão e destruir as estatais. A gritante desigualdade social resultante da sopa de pedras da História nacional, se apresenta no dia a dia na exacerbada e crescente violência urbana, na falta de acesso à saúde, à educação, à segurança, o que exige políticas de correção, no combate à violência, à corrupção e à degradação da representação política, através de profundas reformas da lei, nas instituições e, principalmente, nas mentalidades. Uma única revolução brasileira ? real e pacífica, justa e amparada nas leis; concreta fonte de renovadas esperanças em tornar o Brasil um país normal; revolução republicana como jamais ocorreu no País, por incluir entre os seus atingidos uma elite que sempre foi protegida e beneficiada em detrimento da maioria despossuída ? se efetiva à duríssimas penas: é a República de Curitiba, comandada por Sérgio Moro, que mesmo tendo adversários poderosíssimos como o ministro Gilmar Mendes, protótipo dos que querem preservar a impunidade dos corruptos poderosos. Moro é a cada dia mais reconhecido e reverenciado nacional e internacionalmente, para ciúme e desconsolo infinitos dos elementos que repudiam o avanço da cidadania brasileira.

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