Opinião
Sem opções
A paralisação de caminhoneiros em defesa da redução do preço dos combustíveis, com o fechamento de estradas em várias partes do País, trouxe à tona a velha questão de como o Brasil é dependente do transporte rodoviário. As rodovias representam mais de 90% do transporte de passageiros e atuam como principal forma de escoamento da produção interna. Por isso, a paralisação traz consequências como o aumento dos custos operacionais e perda de capacidade. O problema é que as alternativas ao transporte rodoviário são escassas. O Brasil poderia contar com as ferrovias interioranas ligando os portos e com a navegação de cabotagem. A falta de investimento nessas opções, entretanto, deixa o País sem alternativa para escoamento de cargas e de pessoas. Há estudos que mostram que o Brasil poderia economizar até R$ 90 bilhões por ano em custos logísticos se reduzisse pela metade a utilização do transporte rodoviário e dobrasse a utilização das ferrovias. Enquanto o valor para transportar uma tonelada de carga por mil quilômetros em uma rodovia é de US$ 123, o preço médio para o transporte da mesma carga pela mesma distância por uma ferrovia é de US$ 22 ? quase seis vezes menos. Atualmente, os caminhões transportam 65,6% das cargas, enquanto o os trens respondem por 19,49%. São quase 11 mil quilômetros de estradas de ferro em operação no Brasil, número muito pequeno se levarmos em consideração a extensão territorial do nosso País. Se as 12 ferrovias projetadas estivesse em operação, a malha ferroviária seria triplicada. Durante o século XX, o Brasil privilegiou as rodovias como alternativa para o transporte de cargas. Essa estratégia visou integrar o território brasileiro e também industrializar o País com base na formação de polos automobilísticos. O problema foi negligenciar o transporte ferroviário para promover o rodoviário. Cometeu-se o equívoco de apostar em uma modalidade em detrimento de outra. Os investimentos no transporte ferroviário só retornaram nos anos de 1990, mas se concentraram na recuperação e na melhoria da estrutura já existente, não na sua expansão. O fato é que, em relação ao transporte de cargas, continuamos sem muitas opções, o que tem consequências bem negativas para a economia brasileira.