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Opinião

As eleições e a santidade do meu voto

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Muita gente, talvez por desilusões ou frustrações, não gosta nem de falar em política. Fogem desse assunto como se fosse coisa do diabo. Se pudessem, nem votariam. Estamos todos bastante enojados com a situação atual da política no Brasil. Mas, do ponto de vista do evangelho, seria uma atitude correta fechar os olhos, tapar os ouvidos e voltar as costas à questão? Não vale também aqui o princípio de que o discípulo de Cristo é luz do mundo e sal da terra? E esse ?ser luz e ser sal? é um modus vivendi em todas as dimensões da vida. É um ?ser? para fora da igreja e para dentro da sociedade em que estamos. E não tem nada a ver com discurso religioso, nem pregação evangelística. É um ?ser? transformador, cujo viver social pautado pelos princípios do evangelho, tanto oferece uma luz de esperança e aponta novos rumos, quanto age como antídoto contra a degeneração social. O sal é agente temperador e preservador. Impede a decomposição. Como toda a autoridade é instituição divina para o bem de todos, faz parte da ética cristã participar das questões políticas se esforçando, pelo menos, para eleger bem e não se deixando subornar para votar em alguém. Vida cristã é, essencialmente, vida a serviço dos outros. E a política é um serviço que os governantes prestam aos governados; nesse sentido, a autoridade é servidora de Deus. Assim, o cargo político não deve ser visto como oportunidade de enriquecimento ou de se desfrutar dos privilégios e prazeres do poder. O bem-estar do próximo é mandamento de Deus. Portanto, cuidar disso através do exercício da autoridade política é também atividade agradável a Deus. E aí entra a importância do meu voto. De eu me informar e conhecer os candidatos. Não apenas suas propostas, pois em época de campanha há muita fantasia e promessas que dizem o que o povo quer ouvir, mas sem compromisso efetivo, capacidade e possibilidade de as cumprir. É preciso conhecer também a formação humana e o caráter do candidato. É preciso saber se ele tem competência para tal cargo. Quais são as suas ligações e parcerias. Que poder está por trás de sua campanha. E, finalmente, entender que nossa responsabilidade não termina com o voto. É preciso acompanhar, fiscalizar, sugerir, e, como cristão, orar pelas autoridades, para que Deus proteja os bons e puna os maus. E isso não é uma questão partidária, mas uma questão de ética, pois sou co-responsável por aquele que elegi. Política, como ideal, é o processo em que se visa assegurar uma vida digna para todas as pessoas e sua convivência em sociedade, em meio a diferenças, divergências e conflitos. Portanto é necessário um esforço racional permanente e paciente de todos nós a fim de estabelecer e preservar uma ordem social e política em que reine a justiça, a dignidade e o bem-estar para todos.

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