loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Terrorismo

Ouvir
Compartilhar

Distensão lenta, gradual e segura. Esse era o lema do general Ernesto Geisel, que comandou o Brasil de 1974 a 1979. Enquanto professava a abertura, os órgãos de repressão continuavam sequestrando, torturando e matando os opositores da ditadura militar, como revelaram documentos recentemente liberados pelo governo dos Estados Unidos, parceiro do golpe. Numa outra leva, os documentos reafirmaram o que todos sabiam, mas que os militares insistiam em negar: o atentado do Rio Centro foi trabalho caseiro e não obra da esquerda subversiva. Para os jovens, é bom esclarecer. Dois oficiais usaram um puma (carro esportivo da época) para levar bombas para o Centro de Convenções do Rio de Janeiro na noite de 30 de abril de 1981. Muita gente estava ali para comemorar, antecipadamente, o Dia do Trabalhador. Seria um atentado terrorista, muitos poderiam ter morrido caso a bomba não tivesse explodido no colo de um dos homens. O governo do general João Figueiredo, que havia prometido dar prosseguimento à distensão de Geisel (?quem não quiser ser livre, eu prendo e arrebento?, disse ele), foi abalado. Os setores mais cruéis do regime começaram a ser desarticulados. A ideia de que a democracia seria vitoriosa começou a tomar conta de todos. Em dezembro de 2014, prestei depoimento à Comissão da Verdade, instituída para esclarecer como funcionava o aparelho repressor. Falei como preso político. Os relatos colhidos tornaram-se um dossiê da privação da liberdade num período obscuro da história do Brasil. Eis que agora nos damos conta que muita coisa ficou de fora. O que mais estará escrito nos documentos ainda subterrâneos? O fato é que ao longo desses 37 anos, o Brasil mudou. Saudosistas da ditadura, pelas redes sociais, vibraram com os assassinatos e lamentaram que a bomba tenha explodido antes da hora. O que move essas pessoas? Na plêiade de pré-candidatos à presidência, este ano há políticos preocupados com o Brasil e com um projeto de governo, mas há também discursos ufanistas, cheios de ódio, que propõem solapar a democracia. A revelação dos documentos sobre os anos de chumbo, não vão servir a nenhuma proposta de vingança, como apregoam alguns, e sim alertar para que tais ignomínias não mais se repitam. O passado deve ser uma bússola para o futuro naquilo que pode apontar como positivo. Fazer um caminho de volta em direção às trevas é algo inconcebível.

Relacionadas