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Opinião

Mulheres e livros...

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Recentemente, lendo jornais, duas notícias me cortaram o coração. A primeira aludia a uma mulher, espancada pelo marido. A segunda, registrava os oitenta exemplares, integrantes de uma biblioteca, queimados devido à ação dos cupins. As informações me trouxeram lágrimas aos olhos. Aprendi, desde cedo que, nem com uma pluma, se bate no sexo feminino. Na mesma época, me ensinaram, os livros possuírem alma, razão pela qual suas páginas sequer devem ser dobradas, para lhes evitar ?sofrimento?. Meditando, concluí como mulheres e livros têm tanto em comum: elas são companheiras, com mãos suaves, ternas, aconchegantes e carinhosas, sabendo também ser firmes e transmitir segurança na hora certa; eles, apesar de depositados em prateleiras, parecendo solitários, ensinam, consolam e até divertem, ferindo, e até queimando, quando necessário. As mulheres, apesar de lindas, como pássaros, lutam por seus objetivos, transformando-se em feras, sem perder sua graça de aves... os livros, por sua vez, são os mais importantes instrumentos humano, pois, assim como o telefone é um prolongamento da voz, a vassoura uma extensão dos braços e o automóvel uma continuidade das pernas, ele é acessório da memória e da imaginação. As mulheres, racionais e sensíveis, possibilitam nelas encontrarmos mais qualidades que no gênero masculino. Os livros, animais sem pernas, mas dotados de ?olhar?, nos observam das estantes... Podemos até esquecê-los mas eles estão ali, disponíveis, sabendo muito mais que nós, imponentes mas sempre à nossa mercê... Após estes comparativos, dentre tantos outros possíveis, chega-se à estarrecedora conclusão: no mundo atual, ainda existe espaço para violências. Homens, diariamente agredindo mulheres levando-as a viverem em constantes dúvidas, equilibrando-se em linhas flutuantes entre a independência e a intimidação. Os livros, e as instituições que os representam, por sua vez, o mesmo. As vezes desdenhados pelo ser humano, talvez ignorando possuírem, em suas mãos mortais, a imortal força de preservarem a cultura, fazem história e legam à posteridade o saber de gerações anteriores. Com os olhos ainda marejados de lágrimas, constato, como, a depender de nós, a violência humana poderá atingir níveis tão baixos a ponto de convivermos com situações onde mães, esposas, amigas, todas agredidas habitualmente, coabitarão em paz, da mesma forma que os cupins não mais encontrarão espaços para dilapidar os livros, verdadeiros tesouros de nossa geração.

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