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Opinião

Banho solidário

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Tomei conhecimento, por meio de reportagem veiculada nesta Gazeta de Alagoas, do projeto intitulado ?Banho solidário?, levado a cabo por alguns membros da Igreja Batista do Pinheiro. Encantado com a ideia, logo fiz contato com Fabiano, coordenador do grupo, e há pouco mais de um mês tenho tido a ventura e a graça de participar dessa iniciativa que se propõe a levar aos moradores em situação de rua de Maceió um pouco de dignidade humana, especialmente no que se refere a sua higiene pessoal. A logística é simples. Numa carrocinha de engate, construiu-se uma estrutura com dois chuveiros (um masculino e um feminino) e água quente, onde aqueles que moram ao léu podem tomar um banho decente e se assear adequadamente. Recebem um kit com sabonete e xampu, põem perfume, desodorante e hidratante, ganham mudas de roupas, calçados e agasalhos e fazem um lanche com sanduíche e café. Mais do que isso: são tratados como pessoas, chamados pelo nome, eles que diariamente perambulam ao nosso lado pelo Centro da cidade como se fossem invisíveis, muitas vezes sem terem de nós sequer a esmola de um olhar compassivo. Alguns já se tornaram conhecidos nossos, como o Bareta, a Pata, o Ceará, a Rafaela, o Tasso, o Luiz e até mesmo o Pão, um vira-latas simpático que não larga a companhia de Fabiana, a dona que ele escolheu. Há meninas lindas, que poderiam figurar em qualquer revista de moda. Há homens falantes e bem articulados, que certamente tiveram certo nível de instrução formal. Na última vez um jovem agarrou-se à minha cintura e pediu: ?Tio, faz uma oração pra mim?. Noutra feita uma garota olhou para a gente e disse: ?Eu não quero banho; eu quero amor?. Cenas que nos tocam profundamente e que nos mostram o quanto temos a agradecer. Ouvimos histórias que nos partem o coração, filhos perdidos na tragédia das drogas, pais abandonados na doença, irmãos expulsos de casa na briga por ínfima herança, todas essas misérias que assolam a convivência em família. Muitos ainda sonham, ainda creem em si mesmos e nos outros, ainda conservam no peito aquela centelha divina que nos faz todos irmãos. Dão-nos o seu sorriso banguela, alegres por estarem sendo cuidados. Tudo o que é distribuído ? alimentos, roupas, perfumaria ? é fruto de doação e preparado com um zelo que me emociona. O grupo, majoritariamente evangélico, acolhe voluntários de outras crenças religiosas, pois o que interessa é servir a Cristo nos mais pobres entre os pobres, evangelizando mediante gestos concretos. Por mais que nos digam o contrário, o mundo tem jeito, sim. Exemplos como esse são a prova disso.

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