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A ópera-rock The Wall

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A ópera-rock The Wall foi o último grande clássico do Pink Floyd, lançado em 1979. Subestimado em relação ao também revolucionário Dark Side of The Moon (de 1973), The Wall tem pontos aos quais devemos fazer referência porque revelam o mais alto estágio musical ao qual a banda chegou. O Pink Floyd, desde o começo de carreira, se mostrou uma banda à parte, nunca se importando com modismos, nem com tendências musicais de mercado. Na época em que The Wall chegou às lojas, o cenário musical só queria saber de quem fazia punk. Os grupos Sex Pistols, The Clash e Ramones (todos crias do pioneiro Iggy Pop) ditavam os caminhos mercadológicos da música. Para se ter uma ideia, o movimento punk se tornou tão onipresente que chegou a incomodar o Led Zeppelin. O grupo tratou tudo por cima do ombro e deu aos fãs uma obra que alcança o requinte artístico. É arte de primeira categoria. Esse trabalho conceitual ? embora com elementos do pop ? conta a história dum astro do rock que fica desiludido com a fama, surta e pensa que é um líder fascista. A maior metáfora da obra são os tijolos que compõem o grande muro. O conceito é até meio clichê (o grupo inglês The Who já tinha feito uma ópera-rock aclamadíssima, Tommy, dez anos antes), mas o diferencial desse trabalho floydiano está (também) na sua contemporaneidade. Enquanto o trabalho do The Who ? apesar de relevante e não menos inspirador ? ficou datado como um registro duma época; o trabalho do Floyd, de tão atual, transpira juventude. Com produção refinadíssima, o álbum abre com In The Flesh?, canção forte que dá o sinal de como será aquela odisseia do rock conceitual. Another Brinck In The Wall talvez seja a canção mais popular do álbum, e traz consigo (além da alegoria pop) um coro formado por crianças perfeito e a guitarra sutil de David Guilmour. Mother e Goodbye Blue Sky fazem dobradinha interessante, um equilíbrio entre o som progressivo e o grito cru do puro rock?n?roll ? como acontece com as belíssimas Young Lust, Hey You e (a minha preferida) Comfortably Numb, este último clássico talvez seja o mais sólido tijolo a formar o grande muro sonoro do Floyd, a canção que resume todo o capricho da banda com os detalhes. O solo de guitarra é antológico. Outras pérolas completam o álbum (Run Like Hell ou Waiting For The Worms) como uma prova de que rock puro é bom, mas, quando se coloca nele uma superprodução de estúdio, guitarras trabalhadas, vocais no estilo Abbey Road, dos Beatles, e letras à Bob Dylan... aí, sim, tudo se transforma em magia. The Wall, uma verdadeira muralha artística feita de tijolos do subconsciente. Meu amigo de adolescência Paulo Roberto Pinheiro, fã incondicional do Pink Floyd, sempre me mostrava com entusiasmo a mística desse álbum. Foi ele quem detalhou para mim cada sutileza sonora dos solos de David Guilmour, o contratempo preciso do baterista e o pulsar arrebatador das notas do baixista-líder-gênio Roger Walters. Realmente, The Wall é um discaço, um épico pop da mais impressionante inspiração artística.

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