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Opinião

Insensatez

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Mais de uma semana depois de iniciada, a paralisação dos caminhoneiros ainda se arrasta, movida não apenas pelas reivindicações de caráter econômico ? como a redução do preço do óleo diesel e do valor do pedágio ? já atendidas em sua maioria pelo governo. Agora, a greve é movida por reivindicações locais e por uma pauta política, que inclui desde a saída de Temer até a defesa de uma intervenção militar no País. Esse apelo pela ação enérgica das Forças Armadas é um caso à parte. Manifestações desse tipo geralmente são oscilantes e se intensificam nos momentos em que a instabilidade política no Brasil se agravam, como agora. Desde o início deste semana, por exemplo, um pequeno grupo tem protestado em frente ao Quartel do Exército em Maceió, clamando pelo espírito patriótico de nossos militares para salvar o País da ?bandalheira e das políticas esquerdistas?. É de lamentar o fato de que parte significativa da sociedade não tenha consciência dos males de um regime autoritário, como censura, prisões arbitrárias e tortura. A censura à imprensa e às manifestações artístico-culturais ajudou a manter a sociedade alheia ao que estava acontecendo, inclusive os casos de corrupção. Pode-se atribuir esse saudosismo em relação ao período militar à falta de um conhecimento maior da história, aliada a um completo desalento diante da atual situação do País. Nos últimos anos, pesquisas vêm mostrando a queda da confiança do brasileiro nas instituições. A desconfiança está relacionada, em grande parte, com a percepção do mau funcionamento das instituições e principalmente com a permanência do fenômeno da corrupção. Partidos políticos e o Congresso têm cada vez menos credibilidade. Nesse ambiente de desencanto floresce o radicalismo, a intolerância e até a defesa de teses insensatas, como a de uma intervenção militar no País para acabar com a ?bandalheira?. Felizmente, as Forças Armadas parecem não partilhar desse sentimento. No mais, é preciso que se reitere que ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita, são o pior caminho. Como já afirmou Winston Churchill, a democracia, apesar de todos os defeitos, continua a ser o melhor regime. Cabe à sociedade aperfeiçoá-la. Uma boa chance de fazer isso é em outubro, quando teremos eleições gerais no País.

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